Miraflores Palace/Handout via REUTERS
Miraflores Palace/Handout via REUTERS

Parlamento venezuelano convocará Odebrecht para explicar propina a chavistas

Depoimento, segundo o deputado opositor Juan Guaidó, do partido Voluntad Popular, ocorrerá na quarta-feira

O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2017 | 14h24

A Assembleia Nacional venezuelana - de maioria opositora - convocará os representantes legais da empreiteira Odebrecht na Venezuela para que expliquem o suposto pagamento de propina a funcionáriosdo governo chavista para obter contratos. O depoimento, segundo o deputado opositor Juan Guaidó, do partido Voluntad Popular, ocorrerá na quarta-feira. 

"Queremos saber o que aconteceu com esses US$ 98 milhões de dólares que, segundo Marcelo Odebrecht (ex-presidente da empresa), foram pagos à Venezuela em subornos", disse Guaidó.

A Assembleia Nacional aprovou na semana passada a investigação do caso em um debate que não foi assistido pelos deputados chavistas. Guaidó, presidente da Comissão de Controladoria, considera que o valor da propina supostamente pago pela empreiteira é muito maior do que o confessado por Marcelo Odebrecht.

"Somente em cinco obras não concluídas na Venezuela há um investimento de US$ 16 bilhões de dólares", disse. "Não há só que investigar os subornos, mas também as obras que não foram concluídas, o superfaturamento. Uma das pontes a cargo da empreiteira custou sete vezes mais por quilômetro do que uma ponte similar em Portugal."

Ainda de acordo com Guaidó, depois do depoimento dos representantes da Odebrecht comparecerem, convocará funcionários dos governos dos presidentes Nicolás Maduro e Hugo Chávez que foram responsáveis pelas contratações.

Reação. Os funcionários oficiais que são convocados pelo Parlamento não costumam comparecer porque o Tribunal Supremo de Justiça declarou o Legislativo em desacato, alegando que não desvinculou formalmente três deputados opositores acusados de fraude eleitoral. Maduro se comprometeu no domingo a terminar as obras não concluídas pela Odebrecht, que segundo o deputado opositor Julio Montoya superam os US$ 20 bilhões.

A Procuradoria confirmou em 26 de janeiro que pediu informações sobre o caso ao Ministério Público do Brasil e solicitou uma ordem de captura internacional contra uma pessoa - sem identificá-la - supostamente vinculada ao escândalo. De acordo com a delação de Marcelo Odebrecht, a Venezuela é o segundo país da América Latina no qual a empreiteira pagou mais propina, apenas atrás do Brasil./AFP

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