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Partido governista decide remover Zuma da presidência da África do Sul

Secretário-geral do Congresso Nacional Africano, partido que governa o país desde o fim do Apartheid, entregou carta ao presidente informando sobre decisão tomada pelo Comitê Executivo Nacional e o exortando a deixar o cargo; Zuma responderá na quarta-feira

O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2018 | 09h10
Atualizado 13 Fevereiro 2018 | 15h05

JOHANNESBURGO, ÁFRICA DO SUL - O Congresso Nacional Africano (ANC), que governa a África do Sul, decidiu nesta terça-feira, 13, pela saída do presidente Jacob Zuma, envolvido em vários escândalos de corrupção que mergulharam o país em uma séria crise política, informou a imprensa local.

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"O Comitê Nacional Executivo (NEC, órgão de decisão do ANC) decidiu apelar a seu camarada Jacob Zuma", declarou o secretário-geral do partido, Ace Magashule.

"Nós não fornecemos a ele nenhuma data limite" para o cumprimento da ordem, que não é vinculativa, acrescentou, em entrevista em Johannesburgo. O partido indicou ainda que Zuma responderá à ordem de renúncia na quarta-feira. 

A direção do partido tem o poder de solicitar a saída de seus membros que estejam em função governamental, como aconteceu em 2008 no caso do presidente Thabo Mbeki, que cumpriu a decisão e renunciou.

O secretário-geral do CNA, visitou nesta terça a residência oficial do presidente para entregar-lhe uma carta com uma solicitação formal para que renuncie, informou a emissora de televisão pública sul-africana "SABC".

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Ace Magashule foi o encarregado de transmitir a mensagem de forma oficial a Zuma, depois da decisão tomada pelo partido. Magashule estava acompanhado pela vice-secretária-geral da legenda, Jessie Duarte, segundo a emissora pública sul-africana.

O partido convocou uma entrevista coletiva em sua sede em Johannesburgo para esta terça-feira na qual deve oficializar a revogação de Zuma como chefe de Estado, exortando-o a renunciar - constitucionalmente, porém, ele não é obrigado a obedecer.

Nesse caso, Zuma poderia ser destituído por meio de uma moção no Parlamento nos próximos dias. Este texto deve ser adotado por uma maioria absoluta dos 400 deputados. Até agora, Zuma recusou-se a obedecer as ordens de seu partido.

De acordo com a imprensa local, o líder da formação, Cyril Ramaphosa, voltou a se encontrar com Zuma na segunda-feira para pedir-lhe que renunciasse em 48 horas.

'Virar a página'

A crise que agita o ANC, no poder desde o fim do regime de Apartheid em 1994, tem perturbado o funcionamento do Estado. 

Os partidários de Ramaphosa tentam fazer com que Zuma deixe o poder o mais rápido possível diante das eleições gerais de 2019. Os seguidores de Zuma insistem que ele deve seguir no cargo até o final de seu segundo mandato.

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Nas últimas semanas, o ANC multiplicou as reuniões oficiais e as negociações entre bastidores, sem alcançar uma decisão.

A questão tornou-se mais urgente tendo em vista a aproximação do discurso anual do presidente sobre o estado da nação. 

"Nós sabemos que vocês querem que esta questão seja encerrada", disse Ramaphosa, de 65 anos, em uma reunião do partido no domingo, na Cidade do Cabo. "Sabemos que vocês querem virar a página (...) porque as pessoas querem que isso termine. O NEC vai fazer exatamente isso", disse ele.

O comício de domingo fazia parte das celebrações de 100 anos desde o nascimento de Nelson Mandela, e também de uma tentativa de Ramaphosa de recuperar a reputação do partido.

Na segunda-feira, os partidos da oposição pediram eleições antecipadas, enquanto a crise do ANC ainda estava aberta. "Devemos proceder à dissolução do parlamento (...) e depois convocar eleições antecipadas", declarou o líder do partido Aliança Democrática, Mmusi Maimane, a repórteres. / AFP, EFE e REUTERS

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