EFE/Horacio Villalobos
EFE/Horacio Villalobos

Partidos tradicionais ficariam fora do segundo turno na França

Republicanos e socialistas, que dominam a política há mais de 30 anos, têm dificuldades para convencer eleitores

Andrei Netto / Correspondente, Paris, O Estado de S. Paulo

19 Fevereiro 2017 | 04h00

Se o duelo entre Marine Le Pen e Emmanuel Macron de fato acontecer, a campanha de 2017 representará um baque para os dois partidos mais tradicionais do país, que se alternam no poder desde 1981, quando François Mitterrand chegou ao poder. Republicanos (direita), representados pelo ex-primeiro-ministro François Fillon, e socialistas, liderados pelo ex-ministro da Educação Benoit Hamon, aparecem em terceiro e quarto lugares nas pesquisas. 

“Estamos vivendo a ‘quadripolarização’ da vida política na França”, afirma o cientista político Thomas Guénolé. A constatação é compartilhada por Yves-Marie Cann, diretor de Estudos Políticos do instituto Elabe, para quem o fato de todas as pesquisas coincidirem na ordem dos candidatos, a nove semanas da votação, demonstra uma forte tendência do eleitorado. “A desconfiança é cada vez mais forte em relação aos partidos tradicionais e há um forte desejo de caras novas”, disse, referindo-se a um eventual segundo turno entre Le Pen e Macron. 

A rejeição ao sistema partidário também foi acentuada pelo escândalo de corrupção que atingiu Fillon nas últimas três semanas. Acusado de ter garantido empregos fantasmas à mulher, Penelope, e a dois de seus filhos, o que teria assegurado à família remuneração extra de € 900 mil, o ex-premiê perdeu apoio do eleitorado de direita. Sete em cada 10 franceses gostariam que ele renunciasse, incluindo um em cada dois simpatizantes. “A base eleitoral de Fillon erodiu muito”, disse Cann.

À fraqueza do ex-premiê se soma a divisão da esquerda, que tem dois candidatos com mais de 10% de intenções de voto. Além de Hamon, o radical e populista Jean-Luc Mélenchon tem 12% de apoio. Somados os dois candidatos, a esquerda teria 26,5%, o suficiente para dividir a liderança. Mas as divergências entre os dois líderes, em especial no que diz respeito à União Europeia – o socialista é pró, enquanto o radical é contra – impedem um acordo. 

“Macron significa uma etapa a mais na decomposição de nosso sistema político, com a crise da direita e as dificuldades do PS”, diz Jérôme Fourquet, cientista político do Ifop. “Macron fez um diagnóstico correto ao entender que o sistema partidário estava no limite.”

 

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