Peres e Arafat podem encontrar-se de novo

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) retomou nesta quarta-feira o controle da situação nos territórios após os graves confrontos de segunda-feira em Gaza, abrindo assim a possibilidade para um novo encontro entre o presidente da ANP, Yasser Arafat, e o ministro israelense das Relações Exteriores, Shimon Peres, provavelmente na Grécia. Até o momento, a ANP e a chancelaria israelense não confirmaram a informação. A polícia palestina informou hoje que os serviços de segurança da ANP detiveram na noite de quarta-feira cerca de 50 militantes islâmicos que participaram, um dia antes, de manifestações em favor do milionário saudita Osama bin Laden, deixando dois mortos. Ao mesmo tempo, foi constituída uma comissão de inquérito para investigar o comportamento da polícia palestina, que disparou contra os manifestantes. Apesar destes confrontos sem precedentes dentro dos territórios palestinos, um ministro de Arafat, Saeb Erekat, e um líder do grupo islâmico Hamas, xeque Hassan Yussef, excluíram a hipótese de a sociedade palestina estar caminhando rumo a uma guerra civil. O temor com relação a um eventual conflito interno foi levantado pela televisão oficial palestina, que pedia calma à população. "Temos de perceber que estamos no mesmo barco. Em nenhum caso devemos debilitar nossa unidade nacional", disse o xeque Yussef à rádio Voz da Palestina. Da mesma forma manifestou-se Marwan Barghouti, líder do movimento Al-Fatah, maior partido palestino e líder da segunda intifada, iniciada em 28 de setembro de 2000, após uma visita do atual primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, à Esplanada das Mesquitas, um local sagrado para judeus e muçulmanos. "Apresenta-se a nós a oportunidade histórica de criar um Estado independente, apesar da atual turbulência internacional. Agora, devemos defender como nunca a ANP dos ataques de Ariel Sharon", declarou Barghouti. Israel vem rechaçando os pedidos dos Estados Unidos e de outros mediadores internacionais para aliviar o bloqueio imposto aos palestinos e dar continuidade ao processo de paz, em contraponto aos esforços de Arafat em manter o cessar-fogo em Gaza e na Cisjordânia.

Agencia Estado,

10 Outubro 2001 | 21h32

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