Courtesy of Eric Paddock via AP
Courtesy of Eric Paddock via AP

Perfil: Stephen Paddock, o discreto aposentado assassino de Las Vegas

A Polícia informou que Paddock foi encontrado morto em seu quarto, possivelmente depois de se suicidar; no local, havia pelo menos dez armas

O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2017 | 15h36

LAS VEGAS - Stephen Paddock era um pacato contador público aposentado, de 64 anos, considerado um cara normal, sem histórico de violência, que vivia em um aprazível campo de golfe na cidade de Mesquite, Nevada - até matar pelo menos 59 pessoas em Las Vegas.

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Na noite de domingo, segundo informações da Polícia, Paddock se instalou em um quarto do 32º andar do hotel Mandalay Bay, em Las Vegas, e disparou várias rajadas contra uma multidão que assistia a um festival de música country.

A Polícia informou que Paddock foi encontrado morto em seu quarto, possivelmente depois de se suicidar. No local, havia pelo menos dez armas, segundo a polícia.

Ainda se desconhece por completo as motivações de Paddock, e mesmo seus parentes já declararam não saber o que teria acontecido a esse homem em geral reservado e tranquilo.

Em entrevista ao Las Vegas Review-Jornal, seu irmão Eric Paddock afirmou "não ter ideia do que aconteceu". "É como se um asteroide tivesse atingido nossa família."

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Segundo ele, seu irmão não tinha qualquer vínculo político, ou religioso. "Nada. Nenhuma afiliaçao religiosa, política. Ele só saía para passear", disse Eric à CBS News. "Era apenas um cara normal. Algo se rompeu nele, algo aconteceu."

À rede NBC, Eric disse que seu irmão costumava viajar para Las Vegas para assistir a shows e apostar nos cassinos. "Ele não era um cara louco por armas, de modo algum", comentou, também na entrevista à CBS News. "Onde diabos ele arrumou essas armas automáticas? Ele não tinha antecedentes militares, ou nada disso", acrescentou.

Mudanças. Segundo Eric, o irmão costumava viver na Flórida, assim como ele. Mas decidiu se mudar para o deserto para fugir da umidade de perto do mar. Eles conversaram pela última vez no mês passado, quando trocaram mensagens sobre os estragos que o furacão Irma causou ao Estado da Flórida. 

O pai dos dois, Patrick Benjamin Paddock, foi um violento assaltante de banco que esteve na lista dos mais procurados pelo FBI nos anos 60, segundo a NBC. No entanto, o atirador não tinha nenhum registro criminal, a não ser uma multa de trânsito, segundo a Polícia de Las Vegas. 

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Uma ex-vizinha dele na Flórida, Sharon Judy, afrimou ao jornal Orlando Sentinel que Stephen Paddock era um "homem amigável" e um apostador profissional. Ela disse ter visto uma foto dele após ele ganhar uma aposta de US$ 20 mil em uma máquina de cassino, disse. 

Nas últimas semanas, ele manteve transações de apostas de dezenas de milhares de dólares, mas não estava claro se foram apostas que ganhou ou perdeu, segundo um investigador. 

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De acordo com seus registros, ele teve uma vida itinerante entre o oeste e o sul dos EUA. Alguns anos na Califórnia, outros em partes de Nevada. 

Paddock tinha uma licença para caçar no Texas, onde viveu por um tempo. Lá, também tirou sua licença de piloto e teve pelo menos uma aeronave monomotor registrada em seu nome. 

No início de 2015, ele comprou uma casa modesta de dois andares em um condomínio de aposentados na empoeirada Mesquite, uma pequena cidade no deserto, na divisa com o Arizona, procurada por apostadores e jogadores de golfe. 

Antes de se mudar para Nevada, Paddock viveu em outra cidade chamada Mesquite, mas no Texas, onde ele trabalhou como gerente de um complexo de apartamentos chamado Central Park. 

Registros públicos mostram que Paddock era solteiro, apesar de aparentemente ter se casado nos anos 80 enquanto viveu na Califórnia. Na comunidade em Nevada, ele vivia com Marilou Danley, mas a polícia disse que ela não teve qualquer envolvimento com o ataque. / AFP, EFE e REUTERS  

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