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Peru ajudou a Bolívia com munição para combater Che Guevara

LA PAZ - O governo peruano, durante o primeiro mandato presidencial de Fernando Belaúnde Terry (1963-1968), forneceu ajuda alimentícia e munição para a Bolívia combater a guerrilha de Ernesto 'Che' Guevara, segundo telegramas diplomáticos tornados públicos pela chancelaria boliviana. 

O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2017 | 05h00

Em 15 de junho de 1967, a Embaixada da Bolívia em Lima notificou sua chancelaria, mediante documentos confidenciais, da importância que o governo de Belaúnde havia dado para o assunto. 

O documento divulgado pela chancelaria de La Paz e divulgado nesta segunda-feira (28) pelo tabloide La Razón data de 15 de junho de 1967, três meses depois do primeiro confronto armado entre os guerrilheiros e o Exército.

"O presidente Belaúnde encarregou-me de informar ao presidente (René) Barrientos que observa atentamente o desenvolvimento das guerrilhas na Bolívia com possíveis complicações e oferece todo o apoio ao nosso governo", destaca o documento. 

Em seguida, acrescenta: "disse-me estar satisfeito de que alimentos e munição peruanos estejam dando bom resultado a nossos exércitos. Interessou-se em conhecer os nomes dos guerrilheiros peruanos e ofereceu colaboração do serviço de inteligência desse país". 

A guerrilha de 'Che' contou com a participação dos peruanos Restituto Cabrera, Juan Pablo Chang e Lucio Edilverto Garvan. 

A Bolívia também recebeu ajuda militar dos Estados Unidos, principalmente por meio de armas e treinamento, que foram primordiais para a derrota de 'Che'. 

O jornal La Razón explicou que o arquivo faz parte de documentos que o agora ex-chanceler David Choquehuanca ordenou que fossem tornados públicos em novembro de 2016, e estarão à disposição da comissão da verdade que o governo criou na semana passada para investigar as violações aos direitos humanos durante as ditaduras militares nas décadas de 60, 70 e 80.

O governo boliviano prepara uma série de cerimônias para comemorar no dia 8 de outubro o 50.º aniversário da captura de 'Che' no sudeste do país. O guerrilheiro argentino-cubano foi executado no dia seguinte. / AFP

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