Rodrigo Arangua/AFP Photo
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Peru e Panamá têm protestos contra corrupção

Foco das manifestações foi o esquema de pagamento de propinas montado pela Odebrecht

O Estado de S.Paulo

17 Fevereiro 2017 | 01h34

LIMA E CIDADE DO PANAMÁ - Milhares de pessoas marcharam nesta quinta-feira, 16, em cidades do Peru e do Panamá contra os casos de corrupção que envolvem a Odebrecht. A construtora brasileira admitiu ter pago propinas milionárias em troca de obras nesses países.

Em Lima, a mobilização foi convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores do Peru (CGTP). Os manifestantes se concentraram na tradicional praça Dois de Maio e marcharam até o Palácio da Justiça. Eles gritavam palavras de ordem como "Este é o povo, valente e combativo" e levavam cartazes com mensagens como "Não à corrupção!".

A marcha foi pacífica. Participaram do ato coletivos civis, grêmios sindicais e o movimento Novo Peru - liderado pela ex-candidata da esquerdista Frente Ampla, Verónica Mendoza. Não houve estimativa do número de manifestantes.

Cidades do interior do Peru também registraram protestos. Em Chimbote (a 400 quilômetros ao norte de Lima), houve confronto entre manifestantes e policiais.

Um dos principais alvos das manifestações foi o ex-presidente peruano Alejandro Toledo, contra quem foi expedido há uma semana um mandado de prisão. Ele é acusado de ter recebido US$ 20 milhões em propinas e se encontra nos Estados Unidos. O Peru reiterou nesta quinta o pedido de detenção e extradição dele.

Atos. No Panamá, milhares de pessoas também foram às ruas para exigir o fim da corrupção e da impunidade no país.

Na capital do país, Cidade do Panamá, ocorreram atos distintos. A primeira marcha, liderada por trabalhadores da construção civil, reuniu três mil pessoas que saíram das ruas do centro em direção aos prédios da Assembleia Nacional. A segunda foi organizada pela sociedade civil e teve centenas de manifestantes.

No Panamá, a procuradoria trabalha com duas linhas de investigação.

Em uma delas, realizada em parceria com os ministérios públicos do Brasil e da Suíça, o foco é a relação de 17 pessoas do entorno do ex-presidente Ricardo Martinelli com o esquema da Odebrecht. Dois filhos dele tiveram prisão decretada e estão foragidos.

Na outra, os promotores acusam os sócios do escritório jurídico Mossack Fonseca, Ramón Fonseca e Jürgen Mossack, presos na semana passada, de facilitarem a lavagem de dinheiro por meio da criação de empresas offshore. Fonseca ligou o esquema ao presidente Juan Carlos Varela, que negou ter recebido dinheiro da construtora brasileira.

A Odebrecht reconheceu ter pago propinas no Brasil e em diversos países da América Latina em troca de licitações de obras públicas. No Peru, foram pagos US$ 29 milhões entre 2005 e 2016. No Panamá, o volume de subornos foi de US$ 59 milhões, entre 2010 e 2014. / AFP e AP

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