Peru prende gangue que vendia gordura humana

A Polícia anunciou hoje que uma gangue nos Andes peruanos estava matando pessoas e drenando a gordura dos corpos das vítimas para vendê-la no mercado negro a fábricas de cosméticos, embora especialistas médicos tenham duvidado que exista um grande mercado negro para gordura humana.

AE-AP, Agencia Estado

20 Novembro 2009 | 18h00

Três suspeitos confessaram ter matado cinco pessoas, mas a gangue pode estar envolvida em dezenas de casos, disse o coronel Jorge Mejía, chefe da polícia antissequestro do Peru. Ele disse que um suspeito declarou que a gangue não é a única no país a praticar esses crimes.

Mejía disse que dois suspeitos foram detidos carregando garrafas com gordura humana líquida e disseram à polícia que um litro valia US$ 15 mil. A gordura era vendida a intermediários na capital peruana, onde a polícia suspeita que era então revendida a indústria de cosméticos na Europa, disse Mejía. Segundo ele, nenhuma revenda desse tipo pôde ser confirmada.

Especialistas médicos, no entanto, expressaram dúvidas sobre a existência de um mercado negro internacional de gordura humana, embora a gordura humana tenha aplicações cosméticas. Em coletiva de imprensa, a polícia peruana mostrou duas garrafas de gordura recuperada com os suspeitos e uma foto de uma cabeça apodrecida da vítima, que seria um homem de 27 anos. O suspeito Elmer Segundo Castillejos, de 29 anos, mostrou á polícia onde estava a cabeça, recuperada num vale de cultivo de coca no mês passado, disse Mejía.

Segundo Mejía, seis membros da gangue estão foragidos, entre eles o suposto líder dos criminosos, Hilário Cudena, de 56 anos. Apenas neste mês, 60 pessoas, quase todas camponeses, foram dadas como desaparecidas nas províncias de Huánuco e Pasco, onde a gangue supostamente operava.

Mejía disse que a polícia recebeu informações sobre a atividade da gangue há quatro meses e em agosto infiltrou agentes na gangue. Em 3 de novembro a Polícia prendeu Serapio Marcos Veramendi e Enedina Estela num terminal de ônibus em Lima com uma garrafa de soda contendo gordura humana. O testemunho dos dois levou à detenção de Castillejos três dias mais tarde no mesmo terminal. Os três foram acusados por homicídio, conspiração criminal, posse ilegal de armas de fogo e tráfico de drogas, de acordo com comunicado da Corte Superior de Lima.

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