REUTERS/Ivan Alvarado
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Piñera derrota candidato da esquerda e vence 2º turno da eleição no Chile

Ex-presidente conservador, de 68 anos, que esperava ter vencido no primeiro turno, consegue vitória mais folgada do que previam as pesquisas e volta à presidência depois de quatro anos; Guilllier reconhece a derrota e felicita adversário

O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2017 | 21h55

SANTIAGO - O ex-presidente Sebastián Piñera derrotou neste domingo, 17, Alejandro Guillier e voltará a ocupar o Palácio de La Moneda, quatro anos depois. O empresário de 68 anos, candidato conservador, obteve mais de 54% dos votos. O senador Guillier, que reuniu apoio das principais forças da esquerda chilena, ficou com 45% dos votos.

Com todos os votos apurados, Guillier, de 64 anos, reconheceu que sofreu uma “derrota dura”, parabenizou o bilionário pela vitória e pediu que ele continue as reformas iniciadas pela presidente Michelle Bachelet. Piñera tomará posse no dia 11 de março. 

“Uma vez mais o povo chileno decidiu pelo voto popular seu destino. Quero, esta noite, felicitar ao meu adversário, Sebastián Piñera, o novo presidente da república, a quem já telefonei para felicitar por seu impecável e maciço triunfo”, declarou o senador. 

A votação nas 43 mil mesas e 1.963 colégios eleitorais foi encerrada ontem às 18 horas (19 horas em Brasília). A imprensa chilena registrou uma série de incidentes. No Estádio Nacional, em Santiago, um dos locais de votação, 35 das 197 mesas não estavam instaladas uma hora após a abertura dos portões, segundo o jornal La Tercera. No entanto, não houve relatos de tumultos.

Piñera votou às 10 horas, no horário local. Mais cedo, ele havia divulgado uma foto tomando café da manhã com a família, agradecendo o apoio dos eleitores durante a campanha. Guillier também se deixou fotografar tomando café em sua casa, em Antofagasta, norte do Chile, e votou por volta de 10h30, no horário local. 

Em sua conta do Twitter, a equipe de Guillier postou agradecimentos pelas vitórias parciais em postos de votação de outros países, como Nova Zelândia e Austrália, onde os votos dos chilenos expatriados já haviam sido contados.

O resultado de ontem acabou sendo mais folgado do que previam as pesquisas eleitorais. A última sondagem do instituto Cadem, divulgada no dia de 1.º, mostrava Piñera com 40% das intenções de voto e Guillier com 38,6%, um empate técnico. Os indecisos, brancos e nulos somavam 21,4%. O Chile tem um prazo de 15 dias em que não podem ser divulgadas pesquisas antes da eleição.

No Chile, o voto não é obrigatório. Por isso, no primeiro turno, em novembro, o comparecimento às urnas foi de quase metade dos mais de 14 milhões de eleitores. O índice de participação de ontem era considerado vital. Se fosse maior do que o do primeiro turno, segundo analistas, Guillier tinha chances de derrotar Piñera, porque o candidato esquerdista tinha uma margem maior para conquistar novos eleitores. 

No primeiro turno, o empresário, que governou o Chile de 2010 a 2014, havia conseguido 36,6% dos votos (muito abaixo do esperado), contra 22% do senador Guillier e 20% da candidata da esquerda radical, Beatriz Sánchez. Neste domingo, no entanto, o comparecimento registrado foi praticamente o mesmo, o que favoreceu Piñera. 

Cancelamento

A votação do domingo foi cancelada em Villa Santa Lucía, pequena cidade no sul do Chile que ficou destruída em razão das chuvas que causaram deslizamentos – oito pessoas morreram e 16 estão desaparecidos. A decisão foi tomada depois de o diretor do Serviço Eleitoral do Chile (Servel) ter analisado “múltiplas opções” e constatar que não era possível haver votação. A escola que seria utilizada no processo foi destruída. Villa Santa Lucía tem 298 eleitores, mas apenas 72 deles votaram no primeiro turno. / AFP

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