AFP PHOTO / DOMINIQUE FAGET
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Plano indiano para combater poluição do ar com helicópteros não decola por falta de visibilidade

Nova Délhi pretendia utilizar aeronaves da empresa estatal Pawan Hans para borrifar água na atmosfera e reduzir a concentração de partículas no ar, mas pilotos não puderam deixar o solo em razão da falta de condições de segurança causada por fumaça e neblina

O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2017 | 12h57

NOVA DÉLHI - Um plano do governo de Nova Délhi, na Índia, para combater o alto índice de poluição atmosférica utilizando helicópteros teve de ser suspenso nesta semana em razão da falta de visibilidade causada pela "smog", mistura de fumaça com neblina, que deixou as ruas da capital do país sob uma camada de ar turvo, prejudicial à saúde.

Nova Délhi sofre há duas semanas com fumaça causada por poluição

A ideia das autoridades era utilizar as aeronaves da empresa estatal Pawan Hans para borrifar água na atmosfera e reduzir a concentração de partículas prejudiciais no ar com a dissipação dos poluentes. Na segunda-feira, 13, no entanto, a iniciativa não pode ser efetivada porque não havia condições de segurança para os pilotos decolarem.

"Neste momento, com a continuidade da poluição atmosférica, não é possível conduzir as operações com os helicópteros", afirmou ao jornal local Indian Express BP Sharma, diretor da Pawan Hans. "Comunicamos sobre a situação ao governo e tivemos uma reunião sobre isto na segunda."

A qualidade do ar em Nova Délhi, em outras cidades da região metropolitana da capital indiana, e em outras cidades do norte do país é considerada péssima ou muito ruim há pelo menos uma semana. 

O governo do primeiro-ministro Narendra Modi foi duramente criticado no país depois de seu ministro de Meio Ambiente, Harsh Vardhan, dizer que os moradores da região afetada pela smog deveriam manter a calma e adotar apenas "precauções de rotina", apesar de não haver melhora na qualidade do ar. 

"Não estou dizendo que não devemos fazer nada sobre isso, mas não há necessidade de espalhar o pânico entre as pessoas", argumentou Vardhan, de acordo com o diário britânico The Guardian.

Estudantes

Na semana passada, médicos declararam a capital indiana em estado de emergência de saúde, o que levou as autoridades locais a decretar o fechamento das escolas, a interrupção das obras e a proibição de caminhões na megalópole.

Mas na segunda-feira os alunos retornaram às aulas porque as autoridades de ensino temiam as consequências de uma interrupção prolongada das aulas, causando preocupação entre os pais..

"Não há nenhuma melhora dos níveis de poluição. Se a situação é a mesma, a política deveria ser a mesma. Por quê as escolas estão abertas agora?", questionou Ashok Agrawal, presidente da All India Parents Association.

Ao meio-dia da seguda, o aparelho de medição da embaixada americana na Índia marcava uma concentração de partículas ultrafinas de 509 microgramas por metro cúbico de ar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda não superar uma taxa de 25 de média em um dia. / COM AFP

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