NORTHROP/GRUMAM
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Planos do B-21 avançam em meio a polêmica

Novo bombardeiro de ataque a longa distância dos EUA está previsto para operar em 2025, mas projeto é criticado

Roberto Godoy, O Estado de S. Paulo

03 Abril 2016 | 05h00

Durante uma noite em 2025, o avião de US$ 606 milhões sairá de sua base subterrânea no Missouri, interior dos EUA, rumo ao outro lado do mundo armado com uma bomba de 14 toneladas – um monstro capaz de penetrar até 60 metros no alvo antes de detonar suas 2,1 toneladas de alto explosivo. 

Feita para destruir objetivos fortificados, abaixo do solo, a arma estará na barriga do B-21, o novo bombardeiro de ataques a longas distâncias da aviação americana. Antes que essa cena vire realidade, o programa, formalizado há um mês pela Força Aérea (USAF), terá de superar poderosos obstáculos. O senador republicano John McCain, líder da Comissão de Assuntos da Defesa, ameaçou bloquear a operação se não puder fazer alterações nos termos da encomenda, para evitar o que ele considera “prática de sobrepreço”. 

Além disso, em meio à corrida das eleições primárias pela indicação do sucessor de Barack Obama na Casa Branca, o senador sugeriu que o tema seja “de alguma forma” discutido com todos os pré-candidatos, de ambos os partidos.

Sucessor do B-2 Spirit, um dispendioso jato estratégico de US$ 2 bilhões cada, concebido nos anos 80 para ser o primeiro do mundo ‘invisível’ ao radar da defesa do inimigo – qualquer inimigo –, o B-21 está sendo criado pela Northrop Grumman, o mesmo grupo que projetou e construiu o modelo anterior há mais de 30 anos. 

É uma máquina de guerra cara. Embora esteja sendo projetado de acordo com a determinação de redução de custos imposta pelo governo Obama a todos os empreendimentos do Pentágono, ainda assim não vai sair por menos de US$ 606 milhões a unidade. O voo inaugural está previsto para 2020 e a entrada em operação em 2025. O contrato inicial, incluindo a fase de desenvolvimento, vale US$ 21,4 bilhões. A Força Aérea planeja comprar de 90 a 100 aviões. Do Spirit, foram feitos só 21.

Na semana passada, uma imagem preliminar do jato militar foi apresentada pela secretária americana de Defesa para Aeronáutica, Deborah Lee James. Antes, a empresa havia mostrado a aeronave sob refletores, debaixo de uma cobertura de tecido fino que escondeu os detalhes.

Receita. Não há muitas informações a respeito das especificações e capacidades do jato. Assim como o B-2, ele é uma asa voadora de baixo perfil, com a cabine de comando embutida e desenho irregular. 

O B-21 terá de preservar a possibilidade de receber ao menos 18 mil quilos de armamento. As novidades de maior peso serão, todavia, eletrônicas. Especialistas aeronáuticos ouvidos pelo Estado acreditam que poderá incorporar computadores “que permitam em algum momento seu uso sem piloto a bordo, como um super drone”. 

O primeiro problema a ser superado é a extrema delicadeza do atual bombardeiro estratégico, o B-2, que precisa ser mantido em hangares climatizados para operar regularmente. O radar de bordo não funciona bem na chuva. O novo avião continuará sendo subsônico, com a velocidade máxima na faixa pouco acima de 1.000 km/hora. 

A fuselagem será coberta por um revestimento tão secreto que ainda não tem nome – é a ‘pele silenciosa’, um apelido. A autonomia poderá chegar a 15 mil quilômetros. Isso quer dizer que os dois tripulantes poderão tomar o desjejum em casa, em uma base na região montanhosa do Colorado, decolar para um ataque no Oriente Médio ou na Ásia e, depois de um único reabastecimento em voo, retornar a tempo de se sentar à mesa de um novo café da manhã.

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