Polícia acusa Milosevic de encobrir crime

A polícia da Iugoslávia afirmou hoje que o ex-presidente Slobodan Milosevic ordenou a destruição sistemática de evidências que comprovariam seu envolvimento em crimes de guerra. A acusação - a primeira do tipo feita por autoridades iugoslavas - poderá levar à extradição do ex-ditador ao tribunal internacional de Haia (Holanda), onde ele é acusado de ordenar atrocidades contra albaneses étnicos durante a opressão sérvia na província de Kosovo em 1999. Segundo o capitão Dragan Karleusa, Milosevic ordenou que os comandantes policiais "tomassem todas as medidas necessárias para apagar qualquer traço que poderia evidenciar a existência de crimes" durante a intervenção do Exército e da polícia em Kosovo. Karleusa afirmou que Milosevic ordenou a remoção de "vítimas civis, que poderiam se transformar em tópicos de possíveis investigações pelo tribunal de Haia", a corte de crimes de guerra da ONU. O capitão está chefiando uma investigação sobre um caminhão com dezenas de corpos que foi jogado dentro do Rio Danúbio durante a guerra de Kosovo. Depois que as tropas iugoslavas foram obrigadas a abandonar Kosovo após os bombardeios da Otan, mais de 4.000 corpos de albaneses étnicos foram exumados na província iugoslava. Outros 3.000 albaneses estão desaparecidos, e a acusação de hoje contra Milosevic pode ser a pista que faltava para entender o que aconteceu com aquelas vítimas. A investigação policial foi aberta depois que a imprensa sérvia informou que um caminhão com cerca de 50 corpos foi jogado dentro do Danúbio em uma área próxima à fronteira com a Romênia. Segundo a imprensa, são vítimas de etnia albanesa. A polícia deixou claro hoje que considera esta evidência apenas uma das tentativas de Milosevic de remover pistas que levassem ao assassinato de milhares de civis por suas tropas durante a guerra de Kosovo. Segundo Karleusa, Milosevic ordenou que as provas fossem apagadas durante uma reunião de altos oficiais em seu gabinete em março de 1999. "Quando terminarmos as investigações, apresentaremos acusações criminais", afirmou hoje o ministro do Interior iugoslavo, Dusan Mihajlovic. "Por enquanto, está claro que se tratou de um caso de cobertura de evidências de atos criminosos", disse ele. Segundo as leis iugoslavas, se investigações policiais levam a uma acusação formal, a promotoria pública inicia sua própria investigação. Se essas autoridades descobrem que há evidências suficientes, elas também acusam o suspeito, que então é enviado a julgamento. No momento, o governo está preparando uma lei sobre extradição de supostos criminosos que poderia permitir a entrega de suspeitos como Milosevic apenas se uma corte local encontrar base para acusações de crimes de guerra.

Agencia Estado,

25 Maio 2001 | 13h42

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