Polícia agride manifestantes da oposição em Teerã

Forças de segurança iranianas agrediram manifestantes contrários ao governo com cassetetes e lançaram gás lacrimogêneo para dispersar um protesto realizado hoje, segundo testemunhas e a mídia estatal. Os distúrbios ocorreram ao mesmo tempo em que o regime organizava uma manifestação para marcar o 30º aniversário da tomada da Embaixada dos Estados Unidos em Teerã.

AE-AP, Agencia Estado

04 Novembro 2009 | 10h56

As manifestações oposicionistas foram as primeiras grandes demonstrações de força nas ruas de Teerã desde o meio de setembro. Muitas pessoas usavam lenços ou pulseiras verdes, símbolos que remetem à campanha do oposicionista Mir Hossein Mousavi. Candidato derrotado nas eleições de junho, Mousavi afirma que houve fraudes para garantir a vitória do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Ele e seus aliados, entre eles o ex-presidente Mohammad Khatami, aparentemente encorajavam a população a ficar nas ruas.

No protesto apoiado pelo governo, era possível ouvir gritos como "Morte à América!". Já entre os oposicionistas a máxima era "Morte ao ditador!". Testemunhas contaram que forças de segurança, sobretudo unidades paramilitares da Guarda Revolucionária, avançaram sobre centenas de manifestantes na praça Haft-e-Tir, no centro da capital. As testemunhas pediram anonimato.

Sites favoráveis a reformas no país afirmaram que a polícia lançou gás lacrimogêneo para esvaziar a manifestação na praça. O local fica a aproximadamente um quilômetro distante do local onde ocorre o evento anual para marcar a tomada da embaixada norte-americana. A agência de notícias estatal República Islâmica confirmou que a polícia usou gás lacrimogêneo. Já a também estatal Press TV citou um ferido nos confrontos. Não há, porém, relatos independentes sobre presos ou feridos. As restrições impostas no país proíbem a imprensa de cobrir eventos que não sejam aprovados pelo regime.

Houve bloqueios no acesso a celulares e à internet. As autoridades já haviam advertido que não queriam protestos contra o governo durante as manifestações para marcar a tomada da embaixada em 1979, nos turbulentos primeiros meses da Revolução Iraniana. Cinquenta e dois norte-americanos ficaram reféns durante 444 dias, em uma crise que iniciou o congelamento de três décadas das relações diplomáticas das duas nações.

Obama

Em Washington, o presidente dos EUA, Barack Obama, também lembrou a tomada da embaixada. Obama insistiu para que seu país e o Irã superem o "padrão de suspeição constante, desconfiança e confrontação" que se seguiu à crise dos reféns, iniciada em 4 de novembro de 1979. Em comunicado, Obama disse que os reféns foram mantidos "de modo injusto" e elogiou o sacrifício e a coragem dos norte-americanos capturados.

"Eu deixei claro que os Estados Unidos da América querem superar o passado e buscar uma relação com a República Islâmica do Irã baseada nos interesses mútuos e no respeito mútuo", afirmou Obama. Atualmente, um grande ponto de divergências entre os países é o programa nuclear iraniano. Teerã alega que tem apenas fins pacíficos, como a produção de energia, porém Washington suspeita que há também um programa secreto para produção de armas atômicas no país persa.

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