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AFP PHOTO / POLICE NATIONALE

Polícia da Bélgica recebeu informações sobre esconderijo de Abdeslam em dezembro

Agente conseguiu manter contato com o suspeito de ser o mentor dos atentados em Paris. No entanto, informações obtidas não chegaram aos serviços antiterroristas do país

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O Estado de S. Paulo

25 Março 2016 | 09h03

BRUXELAS -  A polícia da Bélgica obteve informações sobre o esconderijo de Salah Abdeslam, suspeito de ser o mentor dos ataques em Paris, no início de dezembro, mas elas não chegaram aos serviços antiterroristas do país, revelou nesta sexta-feira, 25, a imprensa local.

Um agente da cidade de Malines soube, no dia 7 de dezembro, que um homem chamado Abid, morador da rua Quatre Vents, em Molenbeek, mantinha contato desde novembro com Abdeslam.

Segundo a emissora RTL, o agente ficou doente e comunicou a informação que havia recebido a um companheiro, que redigiu um relatório. O documento, porém, não chegou aos serviços antiterroristas da Polícia Federal ou não foi aproveitado.

A polícia abriu uma investigação interna para esclarecer os motivos de não ter utilizado a informação. Abdeslam foi preso na sexta-feira na mesma rua citada pelo agente.

Se confirmada a falta de comunicação, seria mais uma falha do sistema antiterrorismo da Bélgica. Uma série de erros começou a ser evidenciada após os ataques de Bruxelas na terça-feira, quando 31 pessoas morreram e 316 ficaram feridas.

Um dos equívocos que está ganhando grande dimensão política é a extradição de Ibrahim El Bakraoui, um dos suicidas que detonou explosivos no aeroporto de Zaventem. Ele havia sido enviado à Holanda pela Turquia após ser preso como "combatente estrangeiro" na fronteira com a Síria, e a informação foi repassada ao governo belga, segundo o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

Os ministros de Interior e da Justiça da Bélgica devem comparecer em audiência convocada pelo Parlamento do país nesta sexta-feira para esclarecer o erro a respeito da extradição de El Bakraoui.

Contudo, o portal Politico Europe indicou que Abdeslam só foi interrogado por uma hora pela polícia belga desde sua captura na sexta-feira até os atentados de Bruxelas, quatro dias depois. O interrogatório teria se limitado ao envolvimento dele nos ataques de Paris, apesar de vários elementos indicarem a realização de novas ações terroristas. /EFE

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