AP Photo/Amel Emric
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Polícia da Macedônia lança gás lacrimogêneo contra refugiados na fronteira com a Grécia

Conflito começou quando cerca de 50 imigrantes de aproximaram da cerca de arame farpado e começaram a sacudi-la

O Estado de S. Paulo

13 Abril 2016 | 11h40

IDOMENI, GRÉCIA - A polícia da Macedônia lançou nesta quarta-feira, 13, bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para dispersar um grupo de 100 refugiados que protestava no lado grego da cerca de arame farpado que divide os dois países, disse uma testemunha à agência de notícias Reuters.

Pequenas brigas ocorreram quando cerca de 50 imigrantes se aproximaram da cerca durante a manifestação e começaram a sacudi-la. Aos poucos, policiais gregos antidistúrbios se mobilizaram entre os refugiados e a barreira fronteiriça.

No domingo, 250 pessoas ficaram feridas em Idomeni em um confronto com a polícia da Macedônia, que atirou balas de borracha e lançou gás lacrimogêneo contra um grupo que tentou invadir a fronteira.

A Macedônia acusou a polícia grega de inoperância, quando naquele dia 3 mil imigrantes tentaram forçar a fronteira para prosseguir sua viagem em direção ao centro e ao norte da Alemanha, como fizeram milhares de refugiados em 2015. Atenas disse anteriormente que o pequeno país vizinho havia feito uso excessivo da força.

A ONG Médicos Sem Fronteiras informou que teve que atender cerca de 300 pessoas, entre elas algumas crianças, em sua maioria por problemas respiratórios, mas também pelo impacto de balas de borracha. Sete refugiados tiveram que ser internados em hospitais.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, qualificou na segunda-feira de "vergonhoso" o uso destes métodos de repressão. "Isto é uma vergonha para a civilização europeia e para os países que querem fazer parte desta civilização", afirmou Tsipras em entrevista coletiva com o colega português, Antonio Costa, que visitou a Grécia recentemente.

A maioria dos incidentes em Idomeni ocorrem em razão de rumores que correm pelo acampamento assegurando que a fronteira vai a reabrir. O governo aumentou seus esforços para identificar dentro do próprio acampamento a fonte destas informações falsas, com o objetivo de impedir que cheguem às redes sociais, onde, segundo reconheceu Kyritsis, são impossíveis de parar.

Milhares de refugiados que fogem da guerra e da pobreza do Oriente Médio e da Ásia seguem acampando em míseras condições em Idomeni. Desde o fim de fevereiro, as portas da chamada rota dos Bálcãs estão fechadas, por decisão da Macedônia e dos demais países. /REUTERS, AFP e EFE

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