AFP PHOTO / FRENCH POLICE
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Polícia prende dois suspeitos de prepararem atentado na França

Franceses convertidos ao islã viviam em Marselha; no apartamento da dupla foram encontradas armas, material para explosivos, uma bandeira do Estado Islâmico e indícios de que o candidato conservador François Fillon seria o alvo

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

18 Abril 2017 | 11h01
Atualizado 18 Abril 2017 | 17h34

PARIS - Dois homens foram presos nesta terça-feira, 18, em Marselha, acusados de prepararem um atentado terrorista iminente visando as eleições presidenciais de domingo na França. Uma operação da polícia e dos serviços secretos localizou armas e 3,5 quilos de material para a fabricação de explosivos em um apartamento no qual os dois suspeitos foram detidos, no centro da cidade balneária do sul do País. O Ministério do Interior também confirmou que um candidato, supostamente François Fillon, do partido Republicanos, também é objeto de proteção especial em razão de informações sobre planos de um atentado.

Entre as armas localizadas pela polícia estavam um fuzil e produtos químicos usados para a fabricação de explosivos do tipo TATP, já utilizado em ataques a Paris, Saint Denis e Bruxelas entre 2015 e 2016. Os artefatos foram encontrados em um imóvel situado perto da Estação Saint-Charles, a mais movimentada da cidade. 

Os dois homens foram identificados como Mahiedine Merabet, de 29 anos, e Clément Baur, de 23, ambos de nacionalidade francesa e convertidos ao islã - o segundo deles ligado a redes jihadistas da Chechênia. Os dois já haviam sido investigados pelos serviços secretos por "radicalização" após passarem pela prisão de Sequedin, no norte da França, e passaram a ser objeto de uma busca ordenada pelo Ministério Público Antiterrorismo na semana passada.

Em um pronunciamento à imprensa, o ministro do Interior, Matthias Fekl, definiu o atentando como "certo" e "iminente". "Eles tinham a intenção de cometer um atentado em solo francês em curtíssimo prazo, nos próximos dias", informou.

Também no apartamento foi localizado um exemplar do jornal Le Monde em que o destaque era o candidato do partido Republicano. Junto do jornal, foram encontradas munições que formavam a frase "Lei de Talião" - uma referência à política do "olho por olho, dente por dente", que constava do Código de Hamurabi, no reino de Babilônia, no século 1700 a.C. Além disso, um vídeo e uma bandeira do grupo terrorista Estado Islâmico também foram encontrados, segundo a polícia.

"Os elementos já recolhidos atestam que os dois elementos se preparavam para levar a cabo uma ação iminente no território nacional", confirmou na noite desta terça o procurador Antiterrorismo de Paris, François Molins, que disse ainda ser incapaz de informar o local e momento exatos em que o ataque aconteceria.

Alvo. Fillon é ligado a movimentos católicos conservadores e tem afirmado em sua campanha que a França é um país católico, em uma referência indireta aos muçulmanos do país. Desde a sexta-feira 14, o candidato vinha recebendo uma segurança reforçada pela presença de atiradores de elite durante comícios e atividades de campanha. A Unidade de Coordenação de Luta Antiterrorista (UCLAT), serviço de inteligência do Ministério do Interior, também elevou o nível de risco em torno do candidato conservador, classificando-o como 2, em uma escala que vai de 1 a 4. A classificação indica que o risco de atentado é "limitado ou não previsível de concretização".

As eleições presidenciais de domingo são consideradas um evento de risco elevado pelo Ministério do Interior, que mobilizou 50 mil agentes, entre policiais civis e militares, para garantir a segurança dos eleitores e dos candidatos no primeiro turno.

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