REUTERS/Usame Ari/Zaman Daily via Cihan News Agency
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Polícia turca toma controle de canais de TV da oposição

Durante a transmissão ao vivo, a polícia entrou nas sedes das emissoras, propriedade do grupo Koza-Ipek Holding; agentes usaram gás lacrimogêneo e jatos d'água contra os funcionários que tentaram impedir o avanço

O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2015 | 15h58

ISTAMBUL - A polícia da Turquia invadiu nesta quarta-feira, 28, o escritório de um grupo de comunicação ligado à oposição e assumiu o controle dos canais Bugün TV e Kanaltürk em Istambul, em uma campanha de repressão a companhias ligadas a um religioso que vive exilado dos Estados Unidos, rival do presidente Recep Tayyip Erdogan. A nova campanha de repressão ocorre a quatro dias das eleições legislativas.  

 

Durante a transmissão ao vivo, a polícia entrou nas sedes das duas emissoras, propriedade do grupo Koza-Ipek Holding. Os agentes usaram gás lacrimogêneo e jatos d'água contra os funcionários que tentaram impedir o avanço. As imagens foram exibidas ao vivo. 

Os policiais abriram os portões com serras elétricas, como mostrou as imagens no site da Bugün TV. Os agentes e os novos administradores do grupo nomeados pela justiça assumiram o controle dos canais, apesar da oposição do chefe de redação da Bugün TV, Tarik Toros. "Queridos telespectadores, não se surpreendem caso vejam a polícia em nosso estúdio nos próximos minutos", disse Toros diante das câmeras.

A Justiça turca decidiu na segunda-feira assumir o controle do grupo Koza-Ipek, acusado pela promotoria de Ancara de financiar, recrutar e fazer propaganda a favor do imã Fethullah Gülen, principal rival de Erdogan, que lidera a partir dos EUA uma ONG e várias empresas que o governo chama de "organizações terroristas".

Gülen, que foi aliado de Erdogan, se tornou seu principal inimigo após a explosão do escândalo de corrupção de 2013 que envolveu vários integrantes do governo. Erdogan acusa o religioso de um complô para derrubar o governo. Muitos simpatizantes de Gülen foram detidos desde então.

Ações legais contra mais jornais da oposição, incluindo o jornal nacional Sozcu, são planejadas para após as eleições, disse Aydin Unal, deputado do partido governista AKP.

"Depois de 1º de novembro vamos responsabilizá-los. O jornal Sozcu nos insulta diariamente", disse Unal, ex-assessor de Erdogan, ao canal de TV A Haber na terça-feira. "Há muita pressão na Turquia. Se dizemos algo, o mundo nos acusa de interferir na imprensa, mas não estamos em uma posição confortável no momento, mas após 1º de novembro vamos decidir".

Grupos de direitos humanos questionaram a ação contra a mídia da oposição tão próximo às eleições. A tomada de controle das duas emissoras acontece quatro dias antes das eleições legislativas de domingo. "Quando os distintos pontos de vista a que os cidadãos têm acesso são reduzidos, em particular antes das eleições, é uma fonte de inquietação", escreveu no Twitter o embaixador dos Estados Unidos na Turquia. / AFP e REUTERS 

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