Gustavo Amador/EFE
Gustavo Amador/EFE

Policiais de Honduras se recusam a conter manifestantes durante toque de recolher

Agentes do esquadrão especial da Polícia Nacional foram apoiados por moradores e equipes de outras sedes policiais

O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2017 | 03h38

TEGUCIGALPA - Centenas de policiais de Honduras se negaram nesta segunda-feira, 4, a cumprir o estado de sítio decretado na noite de sexta-feira, 1, e reprimir os manifestantes da oposição, que denunciam fraude nas eleições de 26 de novembro.

Membros dos Cobras, esquadrão da Polícia Nacional especializado em combater motins, apoiados por agentes preventivos, saíram dos quartéis no norte da capital hondurenha para expressar a recusa e reforçar o toque de recolher depois de uma onda de manifestações que terminou em confrontos violentos e morte.

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Moradores da região chegaram ao local onde os policiais se reuniram para aplaudi-los, segurando cartazes com os dizeres "Amo a polícia". Outros levaram mantimentos para os agentes. Por conta da 'folga' anunciada pelos Cobras, o toque de recolher começou duas horas depois nessa segunda-feira.

"A verdade é que não queremos seguir brigando com o povo", disse à AFP um oficial, que cobria o rosto com uma touca ninja. Às 18 horas locais, quando o toque de recolher começaria, agentes de outras sedes policiais chegaram à base dos Cobras, em motos ou patrulhas de carros, soando as sirenes para dar apoio. "O que exigimos é que haja paz, que se resolva já este problema e que não haja mais morte nem sangue", declarou o oficial.

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Autoridades do governo, porém, minimizaram o protesto dos policiais e disseram que o motivo seria pedidos por salários. O ministro de Segurança, Julián Pacheco, afirmou em coletiva de imprensa que  os policiais foram incitados a rebelar-se por um suposto atraso no pagamento dos salários, mas disse que o pagamento foi feito em dia.

O Tribunal Supremo Eleitoral de Honduras concluiu na madrugada desta segunda-feira, 4,  a contagem dos votos, com a vantagem do presidente Juan Orlando Hernández, mas ainda sem proclamar oficialmente o vencedor da votação. 

O candidato opositor das eleições de Honduras, Salvador Nasralla, não reconheceu os resultado e pediu uma recontagem por uma suposta "fraude" no processo. /AFP

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