EFE/Yury Senatorov
EFE/Yury Senatorov

Por que a morte do espião interessa a Putin 

Desde a morte de Alexander Litvinenko, em 2006, pelo menos 14 assassinatos em solo britânico foram atribuídos à ação do Kremlin; pela lógica peculiar do governo russo, é importante mostrar que traidores não estão a salvo nem no interior do Reino Unido

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

18 Março 2018 | 06h00

A pacata Salisbury é dominada por uma bela catedral gótica primitiva, que guarda a cópia mais bem preservada da Magna Carta, de João Sem Terra. No século 19, o escritor Anthony Trollope se inspirou naquele cenário bucólico para ambientar seus romances. Agora, Salisbury deverá ser invadida por uma horda de peritos da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq), encarregados de investigar o envenenamento do espião Serguei Skripal e de sua filha, Yulia, com o agente nervoso Novichok, desenvolvido e produzido na União Soviética.

Levou oito anos até o governo do Reino Unido autorizar uma investigação sobre o assassinato de Alexander Litvinenko, o espião russo envenenado com polônio, em 2006. Concluída em 2016, ela constatou que o crime foi, provavelmente, “aprovado” pelo presidente Vladimir Putin. Desde Litvinenko, pelo menos 14 assassinatos em solo britânico foram atribuídos à ação do Kremlin. Desta vez, a reação da premiê, Theresa May, foi mais rápida, embora insuficiente - ela não congelou os ativos suspeitos mantidos por oligarcas russos no Reino Unido.

Que motivo teria Putin, às vésperas de uma eleição em que sua vitória é dada como certa, para autorizar um envenenamento que certamente seria ligado a ele? Pela lógica peculiar do governo russo, uma mistura de princípios da máfia e da KGB, as negativas diplomáticas e mentiras protocolares fazem parte do teatro externo. 

O essencial é que todos os russos saibam quem foi - daí os vestígios óbvios. O objetivo é mostrar que um “traidor” como Skripal não está a salvo nem no bucólico interior britânico, nem que tenha sido extraditado como parte de um acordo, nem que não tenha mais nenhum segredo a revelar. Traiu, não há perdão. O eleitor nacionalista aplaude.

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O lado perverso do desmantelamento do Estado Islâmico na Síria e no Iraque começa ser sentido no Ocidente, com o retorno aos países de origem de jihadistas treinados no Oriente Médio. De 5 mil que foram para lá, algo como 1,5 mil já voltaram à Europa, segundo estimativa do belga Instituto Egmont. Um terço deles, para Bélgica, Holanda e Alemanha. Pesquisadores da Universidade George Washington identificaram o retorno de 64 aos Estados Unidos, 70% com cidadania ou residência permanente. Para uma catástrofe, apenas um terrorista basta.

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