Potências analisam texto do acordo

AIEA repassa carta do Irã para EUA, França e Rússia e diz que a decisão sobre sanções cabe[br]aos governos

Andrei Netto e Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2010 | 00h00

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) encaminhou oficialmente o acordo nuclear entre Irã, Turquia e Brasil aos governos de EUA, França e Rússia para "avaliação". A entidade, com sede em Viena, garantiu ao Estado que defende uma solução negociada, mas não tomará partido. De acordo com a AIEA, a decisão caberá aos governos.

Brasil e Turquia mediaram um acordo com o Irã, que se comprometeu a enviar 1,2 mil quilos de urânio levemente enriquecido para a Turquia em troca de combustível nuclear. O pacto foi criticado pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. "Certamente temos uma divergência muito séria em relação à diplomacia do Brasil", disse Hillary. Segundo ela, o fato de o Brasil tentar evitar novas sanções ao Irã "deixa o mundo mais perigoso".

No segunda-feira, o diretor da AIEA, Yukiya Amano, recebeu a uma delegação composta por brasileiros, turcos e iranianos, que entregaram uma carta assinada pelo chefe da organização atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, confirmando o entendimento.

Ontem, o porta-voz da agência, Ayhan Evrensel, informou que a proposta de acordo foi encaminhadas a vários países. "A AIEA não tomará uma posição. Estamos apenas facilitando um acordo. A decisão cabe aos governos." Oficialmente, não há um prazo para que americanos e europeus anunciem uma decisão - embora já se saiba que Washington é contra o acordo.

Segundo informações obtidas na chancelaria francesa, o documento enviado pela AIEA está sendo analisado por técnicos de todos os países envolvidos. Enquanto isso, o esboço de sanção ao Irã continua sendo discutido na ONU.

"A AIEA nos enviou uma cópia da carta, assim como fez com os americanos e russos", informou o Ministério das Relações Exteriores da França. "Vamos estudar seu conteúdo com nossos aliados e examinar a continuidade que será dada ao caso."

A maior preocupação dos franceses é com o urânio mantido em estoque pelo Irã, volume que estaria "em torno de 2 mil a 2,4 mil quilos". Questionados se a França também teria "sérios desacordos" com o Brasil, assim como os EUA, funcionários da chancelaria não responderam.

Desde que o acordo foi fechado, Paris mantém uma postura ambígua, elogiando "o esforço" de Lula, mas advertindo que os termos do tratado não são suficientes porque não interrompem o enriquecimento de urânio por parte do Irã.

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