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REUTERS/Philippe Wojazer

Praça da Bolsa em Bruxelas se torna local de homenagens às vítimas dos atentados

Moradores da região atingida pelos ataques escreveram mensagens de paz, acenderam velas e colocaram flores no lugar simbólico

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O Estado de S. Paulo

23 Março 2016 | 09h14

BRUXELAS - A frase "Bruxelles I love you" (“Bruxelas eu te amo”, em inglês) foi escrita várias vezes em giz na histórica Praça da Bolsa, local de reuniões espontâneas no centro da cidade que vive em câmera lenta após o choque dos atentados de terça-feira que deixaram 31 mortos e mais de 250 feridos.

Frases como "Bruxelles bruxellera toujours" ("Bruxelas 'bruxelará' sempre"), "Bruxelles est belle" ("Bruxelas é linda") e "Don't worry" ("Não se preocupe") foram escritas em francês, holandês, inglês e árabe pelos moradores de Bruxelas para mostrar solidariedade e carinho pela cidade, atingida por ataques.

O primeiro-ministro belga Charles Michel foi até o local, que rapidamente se tornou emblemático, por volta das 20h locais (17h de Brasília), acompanhado do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

"Desde que vim morar em Bruxelas, e hoje mais ainda, me sinto muito belga e muito bruxelense. Estou aqui para testemunhar a vontade europeia de homenagear as vítimas belgas e europeias. Viva a Bélgica!", disse Juncker, segundo imagens da rede de televisão VRT.

Desde o início da tarde, centenas de pessoas de todas as nacionalidades começaram a ir espontaneamente para a Praça da Bolsa, no centro histórico da capital belga. Local comum de festa dos belgas, onde são comemoradas as vitórias dos chamados "Diabos Vermelhos" - a seleção de futebol do país -, tornou-se uma pequena Praça da República, onde os parisienses se reuniram após os atentados de janeiro e novembro de 2015.

Um violoncelo tocado por um jovem se destacava no silêncio pesado. Conforme a noite caía em Bruxelas, mais flores e velas iam sendo colocadas no local. Uma mãe e seus dois filhos acenderam uma pequena vela e deitaram ao lado de outras, dispostas em coração. Um pouco mais adiante, outras pequenas chamas formavam o símbolo universal da paz.

"Cristãos+muçulmanos+judeus = humanidade", lia-se no chão, entre várias mensagens escritas em giz de cera colorido. "Unidos contra o ódio", dizia uma bandeira colocada nos degraus da praça.

"Eu estou aqui para homenagear as vítimas e mostrar que o nosso país é solidário. Mostrar que, apesar de nossos conflitos internos, estamos unidos diante do horror", disse Thibault Demarneffe, 22 anos, estudante de turismo em Bruxelas, com os ombros envolvidos em uma bandeira belga.

Sofiane, um argelino que foi completar seus estudos de sociologia em Antuérpia, no norte da Bélgica, em 2011, reacendia as velas que eram apagadas pelo vento brando. "É triste, lamentável, chocante", suspirava. "Conheci a Argélia dos anos 1990. Não sabíamos o que era terrorismo, e um dia ele chegou até nós."

Mas sua emoção se transformava em raiva. "É preciso ficar atento aos radicais que dizem que vão ao paraíso. Eles que façam a viagem sozinhos. Eu não tenho vontade de ir para o paraíso matando inocentes. Não é paraíso, é inferno".

"É importante se unir após momentos como esses. É simbólico, mostra que estamos unidos face ao terror", estimou Leïla Devin, uma atriz de 22 anos. "Não temos medo, eles são uma dezena e nós, milhares", afirmou Juliette, uma universitária belga.

"Eu e minha mãe viemos mostrar que somos orgulhosas de sermos belgas e que não temos medo ou, ao menos, fingir que não temos medo. Porque hoje (terça-feira) de manhã eu senti muito medo", afirmou Analphia Desmet, 22 anos, estudante de comunicação.

O ambiente era calmo e pedia recolhimento. Alguns cantavam músicas em coro, como "Imagine", de John Lennon.

"O que vivemos hoje é uma tragédia. E a escala é muito maior do que Bruxelas, Bélgica ou a Europa. Na escala humana, é uma tragédia", garantiu a bruxelense Afaf. /AFP

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