Reprodução/Prefeitura de Caracas
Reprodução/Prefeitura de Caracas

Prefeitura de Caracas lança moeda própria contra falta de alimentos

Cada unidade do 'Caribe', que tem cédulas de 5, 10, 20, 50 e 100, equivale a 1.000 bolívares; prefeita Érika Farías, aliada de Nicolás Maduro, diz que mecanismo é 'proteção para a população' e ajudará a derrotar a 'guerra econômica imposta pela direita nacional'

O Estado de S.Paulo

16 Abril 2018 | 14h20

CARACAS - A prefeitura de Caracas lançou no domingo uma moeda própria, o "Caribe", ante a escassez de dinheiro e a desvalorização do bolívar em meio à hiperinflação que afeta os venezuelanos.

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Os caribes, com cédulas de 5, 10, 20, 50 e 100, podem ser utilizados apenas na feira de alimentos com preços subsidiados organizada pelo município, informou a prefeita Érika Farías, aliada do presidente Nicolás Maduro. Cada caribe equivale a 1.000 bolívares.

Érika definiu a moeda como um "mecanismo de proteção" para a população. Os moradores de Caracas podem trocar bolívares pela moeda municipal em transações eletrônicas em postos da prefeitura montados nas feiras.

"O Caribe vai derrotar a guerra econômica imposta pela direita nacional", disse a prefeita no lançamento da moeda. "Ser Caribe é ser rebelde, não renunciar, não se ajoelhar, é lutar. Ser Caribe é ser criativo, reconhecer o inimigo e combatê-lo em qualquer terreno e, por isso, hoje estamos mostrando nossa rebeldia Caribe em um terreno complexo que é o da economia, mas não há espaço onde O Caribe não possa vencer", completou.

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A prefeita informou ainda que no primeiro dia de aceitação da nova moeda, foram realizadas seis feiras subsidiadas em pontos diferentes da capital venezuelana. "A meta é chegar a 22 eventos por semana para abastecer Caracas."

A escassez de dinheiro é mais uma dificuldade para os venezuelanos, que enfrentam uma hiperinflação - segundo o FMI deve alcançar 13.000% este ano - e uma grave falta de produtos básicos.

O governo de Maduro atribui a situação a "máfias" que fazem contrabando com papel-moeda, mas analistas consideram que é uma consequência da impossibilidade de imprimir cédulas ao ritmo da inflação fora de controle.

A maior nota, de 100.000 bolívares, paga com dificuldade um café nas ruas. Maduro anunciou em março o lançamento de novas cédulas e moedas, que entrarão em vigor no dia 4 de junho, em um processo de reconversão monetária que cortará três zeros do bolívar, o que significa que 100.000 bolívares passarão a valer 100.

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Em meio ao caos, várias comunidades começaram a implementar moedas paralelas. 

No fim de 2017, moradores de 23 de Janeiro - grande área popular ao oeste de Caracas - criaram o "Panal", cuja cédula de maior valor tem a imagem do falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013).

A moeda é usada no bairro - um reduto chavista - para negociar o que é produzido na própria comunidade. / AFP

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