REUTERS/Philippe Wojazer
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Premiê francês critica Le Pen e diz que candidata quer tirar 'proveito eleitoral’ do atentado

Bernard Cazeneuve respondeu às críticas da candidata e destacou que foi durante os governos socialistas que as fronteiras externas da União Europeia foram reforçadas

O Estado de S.Paulo

21 Abril 2017 | 11h55

PARIS - O primeiro-ministro da França, Bernard Cazeneuve, respondeu nesta sexta-feira, 21, às críticas da candidata de extrema direita às eleições presidenciais, Marine Le Pen, e a acusou de tentar "instrumentalizar" o atentado a seu favor.

"Este ataque é um drama e Le Pen tentou lamentavelmente tirar proveito eleitoral em detrimento da verdade", acusou o premiê francês, que rebateu diversas críticas da candidata nacionalista.

O chefe de governo lembrou que 117 estrangeiros suspeitos de relação com terrorismo já foram expulsos do país e denunciou que Le Pen demonstrou "desconhecimento dos dispositivos terroristas" depois que a candidata afirmou que seria necessário expulsar os estrangeiros monitorados pelo serviço secreto por radicalismo, retirar a nacionalidade francesa dos que têm dupla nacionalidade e os que são apenas francesas fossem detidos sob a acusação de "adesão a uma ideologia do inimigo".

"(Le Pen) procura, como sempre faz após cada drama, aproveitar-se para instrumentalizar e dividir. Procura explodir, sem nenhuma vergonha, o medo e a emoção com fins exclusivamente políticos", comentou Cazeneuve sobre a candidata, que pediu nesta sexta-feira que as fronteiras nacionais fossem restauradas "imediatamente".

Em uma declaração no Palácio de Matignon, sede da chefia de governo, Cazeneuve também respondeu às declarações do candidato conservador, François Fillon, a quem repreendeu por não ter conseguido avançar na luta antiterrorista quando foi premiê entre 2007 e 2012, durante a presidência de Nicolas Sarkozy.

O premiê francês destacou que foi durante os governos socialistas que as fronteiras externas da União Europeia (UE) foram reforçadas, em alusão às propostas do candidato conservador, que pediu uma renegociação do Tratado de Schengen, o qual prevê a abertura das fronteiras e a livre circulação de pessoas entre os países signatários.

A França, que realiza eleições presidenciais no domingo, continua comovida pelo ataque de quinta-feira na Avenida Champs-Elysées em Paris. Um policial foi morto e dois ficaram feridos após a ação de um suspeito identificado como Karim Cheurfi / EFE

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