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Preocupação com energia nuclear marca 5 anos de terremoto e tragédia de Fukushima

- Atualizado: 10 Março 2016 | 15h 56

Em março de 2011, terremoto e tsunami deixaram mais de 18 mil mortos no Japão; veja imagens da reconstrução

TÓQUIO - O Japão lembra nesta sexta-feira, 11, o quinto ano do terremoto e tsunami de 11 de março 2011, que deixaram mais de 18 mil mortos e desencadearam a crise nuclear de Fukushima, uma das piores da história.

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, afirmou na quinta-feira que os trabalhos de reconstrução "aceleraram", embora tenha admitido que há "muita gente que continua em uma situação muito dura por não poder retornar a seus lares".

Essa foi a pior tragédia que atingiu o país asiático desde a Segunda Guerra. E neste ano será lembrada no contexto da ordem de um tribunal japonês de interromper, por motivos de segurança, uma usina nuclear que acabava de ser reativada.

Como todo ano, serão organizadas em todo o país cerimônias em lembrança às mais de 18 mil vítimas do tsunami originado pelo terremoto de 9 graus na escala Ritcher, que varreu a costa nordeste do país e causou graves danos na central de Fukushima Daiichi.

Meia década depois da catástrofe, prosseguem as tarefas para reconstruir as zonas afetadas e cerca de 174 mil pessoas continuam sem poder voltar para casa em razão da destruição causada pelo Tsunami ou pela poluição radioativa emanada da central.

A recuperação das Prefeituras de Iwate e Miyagi, onde a onda gigante deixou mais mortos, desacelerou pela dificuldade técnica e o custo para construir novas casas em zonas mais elevadas sobre o nível do mar - medida preventiva perante a possibilidade de outros tsunamis.

Na Prefeitura de Fukushima, a situação é mais complexa e não há sinais de solução para as milhares de pessoas que seguem deslocadas pela catástrofe nuclear, justamente em razão dos altos níveis de radiação que fazem com que seis municípios estejam ainda inabitáveis.

A central também enfrenta um longo e incerto processo de desmantelamento, uma tarefa que se prolongará entre três e quatro décadas à qual se somam os problemas de conter os vazamentos de água radioativa e retirar e armazenar o combustível nuclear gasto.

Sequência de imagens mostra fotos aéreas do Japão antes do terremoto, no mês em que a tragédia ocorreu e anos depois 

Sequência de imagens mostra fotos aéreas do Japão antes do terremoto, no mês em que a tragédia ocorreu e anos depois 

Consequências. O debate sobre os efeitos na saúde pública e no meio ambiente do pior incidente nuclear desde o de Chernobyl (Ucrânia) em 1986 reavivou com a publicação de novos relatórios sobre o problema. Um estudo conduzido pela Universidade Médica de Fukushima durante os últimos cinco anos concluiu que a radiação emanada da usina "não teve nenhum impacto apreciável" sobre a saúde dos habitantes da zona.

Por sua vez, o grupo ecologista Greenpeace afirmou que foram detectadas mutações em plantas e animais da zona, assim como "altas concentrações de radiação" em determinadas espécies, a partir de pesquisas independentes e da organização. Outros especialistas mantêm que as verdadeiras consequências do acidente só poderão ser avaliadas a longo prazo.

O que é indubitável é o altíssimo custo que suporá o desmantelamento da central, que chegará a entre 8 e 13 trilhões de ienes (64.200/104 bilhões de euros), segundo diferentes estimativas que incluem compensações aos deslocados pelo acidente e outras despesas.

O quinto aniversário do tsunami e do acidente de Fukushima chega em um ano fundamental para a reativação das usinas nucleares japonesas, uma iniciativa impulsionada pelo governo de Abe, que acaba de sofrer um novo contratempo por uma decisão judicial.

Uma corte do distrito de Otsu (oeste do país) deu a razão a uma demanda interposta por um grupo particular que considera que o funcionamento da usina de Takahama representa um perigo para a região, já que poderia sofrer um acidente como o de 2011.

Em seu discurso de quinta-feira, Abe voltou a defender a energia nuclear ao qualificá-la de "imprescindível para conseguir a estabilidade do fornecimento energético" no Japão. /AFP e EFE

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