Henry Romero/Reuters
Henry Romero/Reuters

Presidente candidato à reeleição aceita recontagem de votos em Honduras

Oposição contesta apuração lenta que deu pequena vantagem a Juan Orlando Hernández; 5 mil atas devem ser revisadas

O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2017 | 12h01

TEGUCIGALPA - O presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, afirmou na madrugada desta quarta-feira, 6, estar disposto a aceitar uma revisão total do processo eleitoral de 26 de novembro passado, como exige a oposição de esquerda, que denuncia fraude na apuração.

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“Estamos abertos à recontagem, que se revise, uma, duas, três vezes. Não há qualquer problema”, afirmou Hernández na sede do Partido Nacional, após a Aliança de Oposição Contra a Ditadura exigir do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) a recontagem total dos votos.  “Falam (a oposição) de 5 mil (atas), mas tudo deve ocorrer sob os procedimentos previsto pela lei e seu devido processo. Os mais interessados em que isto seja transparente somos nós.”

As autoridades eleitorais hondurenhas concordaram nesta terça-feira em rever milhares de atas questionadas pela oposição nas eleições de novembro, que reelegeram Hernández, mas os opositores passaram a exigir uma revisão completa.

“Queremos que não fique nenhuma dúvida do que é revisado e como é revisado, vamos trabalhar, haverá observação nacional, internacional e dos meios de comunicação”, explicou a jornalistas David Matamoros, presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE). 

O candidato da oposição, o popular apresentador de televisão Salvador Nasralla, da esquerdista Aliança de Oposição Contra a Ditadura, comandada pelo ex-presidente Manuel Zelaya, havia solicitado a revisão de 5.173 atas, cerca de 30% do total, das eleições de 26 de novembro.

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Mas nesta terça-feira Zelaya passou a exigir a revisão de todas as 18 mil atas das eleições e a recontagem de todos os votos.

“Deve haver uma revisão total, de atas e votos. Abrir as urnas, recontagem total, algo completo para evitar a contaminação”, disse Zelaya.

Com 100% das urnas apuradas, Hernández aparece com 42,98% dos votos, contra 41,38% para Nasralla, segundo o TSE.

A Constituição de Honduras proíbe a reeleição presidencial, mas Hernández pôde se candidatar a um segundo mandato graças a uma polêmica sentença da Suprema Corte./ AFP

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