Mujahid Safodien/AFP
Mujahid Safodien/AFP

Presidente da África do Sul deixa liderança de seu partido

Em seu discurso, Zuma reconheceu que a economia do país permanece frágil sob seu comando

EFE

16 Dezembro 2017 | 15h28

JOHANESBURGO - O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, deixou neste sábado, 16, a liderança de seu partido, o Congresso Nacional Africano (CNA), com um discurso no qual defendeu ampliar o avanço da população negra no país apesar da fragilidade econômica.

"Apesar dos desafios, hoje o CNA ainda representa os sonhos, as aspirações e as esperanças de milhões de pessoas que estão marginalizadas, na periferia da nossa economia", afirmou Zuma na abertura da 54ª Conferência Nacional do CNA.

O partido, que venceu todas as eleições presidenciais desde o início do período democrático em 1994, focará agora em escolher o sucessor de Zuma. Os favoritos são o vice-presidente do país, Cyril Ramaphosa, e a ex-presidente da União Africana Nkosazana Dlamini-Zuma, ex-esposa do presidente sul-africano.

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Em um longo discurso de despedida, Zuma repassou a situação do antigo movimento de libertação, o estado da economia e os desafios que serão enfrentados pelo próximo candidato à presidência.

"O CNA deve promover o avanço e o êxito negro, além de lutar contra as tentativas de frustá-lo e miná-lo", destacou.

Como principais obstáculos, Zuma elencou, entre outros, o desemprego, o crime, a desigualdade social e a repartição de terra, uma questão que considerou como "essencial" para uma transformação socioeconômica radical da África do Sul.

"Os beneficiados pelo status quo irão se opor por natureza a discutir qualquer mudança que ponha isso em perigo", afirmou.

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Zuma também reforçou a necessidade de combater a corrupção no setor privado, apesar de seu governo ter sido marcado por escândalos e derrotas judiciais relacionadas com o uso de recursos públicos para beneficiar empresários aliados da presidência.

No entanto, o presidente reconheceu que, sob seu comando, a economia da África do Sul permanece frágil. Após uma recessão momentânea no início do ano, Zuma indicou que o governo prevê fechar 2017 com um crescimento econômico de 1,3%.

Zuma também reconheceu que há "tendências negativas" dentro do próprio CNA, que estão debilitando o movimento internamente. E citou casos de indisciplina e a criação de diferentes facções.

Espera-se que o novo líder do CNA seja conhecido amanhã após uma votação secreta entre os delegados do partido. No entanto, há grande divisão interna entre os simpatizantes dos dois candidatos com mais chances de substituir Zuma no comando da legenda.

Ramaphosa, sindicalista que se tornou um bem-sucedido homem de negócios, parte com ligeiro favoritismo após ter recebido apoio da maioria dos diretórios provinciais do partido. /EFE

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