John Vizcaino/Reuters
John Vizcaino/Reuters

Presidente da Colômbia pede a renúncia de ministros para reformar gabinete

A medida abre caminho para uma reforma tributária e para outras mudanças, antes da assinatura de acordo de paz com as Farc

O Estado de S. Paulo

22 Abril 2016 | 16h17

BOGOTÁ - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu nesta sexta-feira, 22, a "renúncia protocolar" de todos os seus ministros, como movimento prévio para uma reforma de seu gabinete de governo. Ao todo, 15 ministros entregaram suas demissões, abrindo caminho para uma reforma tributária e outras mudanças, antes da provável assinatura de um acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que deve ocorrer ainda neste ano. 

 

A formação do novo gabinete ainda não tem data definida. Mas, em entrevista ao "New York Times", Santos afirmou que "todos os funcionários têm seu ciclo" e explicou que a medida responde a "mudanças de que o governo precisa".

A renúncia plena do gabinete foi precedida pela saída da ministra da Casa Civil, María Lorena Gutiérrez, revelada na quinta. Ela era o "braço direito" do presidente no governo. Segundo diferentes meios de imprensa, a renúncia de Gutiérrez se deve, em parte, à inclusão de seu antecessor no cargo, Néstor Humberto Martínez, no termo que Santos enviou à Corte Suprema de Justiça para escolher o novo procurador-geral. Já no começo desta semana, German Arce foi nomeado ministro das Minas e Energia. As demais alterações devem ser feitas durante a próxima semana.

Santos está em Nova York, onde participou da reunião da ONU em que 171 países assinaram um acordo climático para combater o aquecimento global. De acordo com a emissora "Caracol Radio", o presidente antecipará seu retorno de Nova York e voltará a Bogotá nesta sexta para trabalhar no novo gabinete, em vez de retornar no sábado, como previsto.

Os novos ministros serão os encarregados de comandar o país rumo à paz, já que estão em fase final os diálogos com as Farc para achar uma saída negociada para mais de meio século de conflito. O governo ainda iniciou, recentemente, conversas oficiais com outro grupo guerrilheiro, o Exército de Libertação Nacional (ELN).

Embora os colombianos estejam entusiasmados com a perspectiva de ver o fim de um conflito que matou mais de 220 mil pessoas desde 1964, ficaram impacientes com o ritmo das tratativas, somado a uma desaceleração econômica, à alta inflação e à possibilidade da criação de impostos para compensarem a perda de arrecadação devida à queda no preço do petróleo, fazendo os índices de aprovação do presidente despencarem nos últimos meses. / EFE, REUTERS e AFP

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