AFP PHOTO/COSTA RICAN PRESIDENCY
AFP PHOTO/COSTA RICAN PRESIDENCY

Presidente da Costa Rica critica tratamento a crise durante eleição

Segundo Luis Solís, candidatos falaram do déficit fiscal como um problema novo, apesar de tentativas de reforma

O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2018 | 22h33

SAN JOSÉ - Numa eleição presidencial marcada pela discussão sobre o casamento gay, o presidente da Costa Rica, Luis Guillermo Solís, qualificou neste domingo, 4, a crise econômica que atinge o país – que ficou de fora da pauta principal da campanha dos candidatos – como o maior problema dos costa-riquenhos, que foram às urnas eleger seu novo líder em uma votação indefinida.

“O principal problema, conforme venho dizendo incansavelmente nos últimos três anos e meio, é o déficit fiscal e sua combinação com a dívida”, declarou o presidente, ao votar em um colégio da capital, San José. 

De acordo com dados publicados pelo Banco Central da Costa Rica na semana passada, o déficit fiscal do país alcançou 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB) costa-riquenho em 2017, o índice mais alto da história – e o saldo da dívida chegou a 65,1% do PIB.

Solís criticou a campanha eleitoral à presidência, afirmando que os candidatos trataram o problema do déficit fiscal como novidade, apesar de os quatro últimos governos do país terem tentado, sem sucesso, aprovar uma reforma tributária para combater o problema.

“É necessário que a democracia se renove”, afirmou o presidente, primeiro líder do partido de centro Ação Cidadã a ser eleito ao cargo, que tem como candidato o ex-ministro do Trabalho Carlos Alvarado.

Uma pesquisa do Centro de Investigação e Estudos Políticos divulgada no dia 31 mostrou que 36,5% do eleitorado não tinha decidido em quem votaria nas eleições de ontem – para as quais 13 candidatos concorreram.

Com 17% das intenções, segundo a sondagem, o pastor evangélico Fabricio Alvarado, do partido Restauração Nacional, era o mais bem colocado. O religioso dedicou sua campanha a criticar uma sentença emitida no dia 9 pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que fica em San José, que pretende obrigar a Costa Rica a aceitar o casamento gay.

Com o discurso contra a união entre pessoas do mesmo sexo, o pastor saltou de 3% para 17% das intenções de voto, colocando-o em primeiro lugar na projeção para a disputa eleitoral. Em seguida, com 12,4% das intenções, aparecia o ex-deputado e advogado Antonio Alvarez, do tradicional partido Liberação Nacional, de orientação social-democrata. Carlos Alvarado, o candidato do partido do atual presidente, apareceu com 10,6% das intenções.

Se nenhum dos candidatos obtiver pelo menos 40% dos votos dos costa-riquenhos, o segundo turno da eleição presidencial será disputado em 1.º de abril.

A Costa Rica votou também para renovar os 57 assentos da Assembleia Legislativa. 

De acordo com informações do Tribunal Supremo Eleitoral costa-riquenho, a votação ocorreu em um ambiente de tranquilidade, com grande comparecimento às urnas. / AFP e EFE 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.