Presidential Press Office/Handout via Reuters
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Presidente da Itália dissolve Parlamento e convoca novas eleições

O pleito deve ocorrer em 4 de março e vai colocar frente a frente dois símbolos do populismo na Itália, o ex-premiê Silvio Berlusconi e o comediante Beppe Grillo, líder do movimento Cinco Estrelas

O Estado de S.Paulo

28 Dezembro 2017 | 17h00

Roma - O presidente italiano Sergio Mattarella assinou um decreto nesta quinta-feira, dia 28, para dissolver o Parlamento e convocar novas eleições para o ano que vem. O pleito na Itália deverá ocorrer entre 45 e 70 dias, a serem contados a partir desta quinta. De acordo com legisladores e analistas, a expectativa é de que as eleições aconteçam no dia 4 de março.

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A decisão foi anunciada em um comunicado depois de reuniões que Mattarella teve no Palácio do Quirinal com o primeiro-ministro, Paolo Gentiloni, e os presidentes da Câmara dos Deputados, Laura Boldrini, e do Senado, Pietro Grasso.

Horas antes do comunicado, Gentiloni fez um pronunciamento à imprensa no qual fez um balanço do que considerou "frutíferos" cinco anos de governo progressista, nos quais o país "se colocou em movimento depois da pior crise desde a Segunda Guerra Mundial", disse.

Os principais temas que devem surgir durante a campanha são o alto índice de desemprego, a imigração em larga escala que a Itália vivenciou nos últimos anos e a indignação do povo com a classe política. Os problemas são tão profundos que deterioraram a lealdade aos partidos tradicionais e fizeram com que metade do eleitorado apoiasse partidos populistas.

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A fragmentação do cenário político da Itália nos últimos anos implica que nenhum partido ou aliança deve conquistar maioria parlamentar, o que aumenta a probabilidade de um Parlamento dividido e a possibilidade de que a terceira maior economia da zona do euro fique presa num limbo político durante meses - como aconteceu há cinco anos, antes da formação do atual governo. 

O pleito na Itália será o mais recente após uma série de eleições na Europa em 2017, nas quais partidos populistas de direita e de esquerda ganharam relevância. Na Itália, o eleitorado fragmentado e a insatisfação com os partidos tradicionais serão temas proeminentes, alimentados por uma recuperação econômica muito mais fraca que no resto da Europa.

É provável que as eleições fiquem divididas entre três partidos: a coalizão de centro-esquerda Partido Democrático, a de centro-direita liderada pelo ex-primeiro ministro Silvio Berlusconi, o e o Movimento 5 Estrelas, um dos maiores grupos anti-establishment da Europa, liderados pelo comediante Beppe Grillo.

De acordo com uma pesquisa conduzida pelo Istituto Ixè publicada em meados de dezembro, uma coalização de centro-direita pode vencer 37% dos votos. O Movimento 5 Estrelas ficaria com cerca de 29% dos votos, enquanto o Partido Democrático teria 23% dos votos.

Caso nenhum grupo conquiste uma maioria, há três resoluções possíveis. O presidente Mattarella poderia solicitar que o partido que obteve mais votos tente formar um governo de minoria, mas essa coalizão seria provavelmente fraca e teria dificuldades em aprovar reformas econômicas necessárias.

Mattarella poderia também pedir que os partidos maiores formem uma coalizão liderada por uma figura neutra. Se nenhuma das opções der certo, Mattarella pode convocar novas eleições.

Até que o novo governo seja escolhido, o primeiro-ministro Paolo Gentiloni permanece no cargo. / AP, AFP e REUTERS

 

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