AFP PHOTO / JUAN CEVALLOS
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Presidente do Equador é retirado da liderança de partido governista

A medida, não reconhecida por ministros de Moreno, aumenta a incerteza sobre a governabilidade do presidente e seu nível real de apoio no Congresso

O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2017 | 13h41

QUITO - O movimento governista equatoriano Aliança País (AP) consumou na terça-feira sua ruptura depois que a cúpula do movimento, ligada ao ex-presidente Rafael Correa, destituiu o presidente do país, Lenín Moreno, de sua direção, aprofundando a crise política no Equador.

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A medida, não reconhecida por ministros de Moreno, aumenta a incerteza sobre a governabilidade do presidente e seu nível real de apoio no Congresso, de maioria governista.

A direção nacional da AP anunciou em um comunicado "a perda imediata de sua dignidade como Presidente do Movimento Aliança País do senhor Lenín Moreno Garcés".

No mesmo comunicado, a AP convida o ex-presidente Rafael Correa - hoje adversário declarado de Moreno - a acompanhar o processo de "reestruturação" do partido.

O movimento governista, que desde que Moreno chegou ao poder - em 24 de maio - está profundamente dividido entre partidários do presidente e de Correa, acusa o mandatário de governar com o programa da oposição e atentar contra "a unidade orgânica" do partido.

"A norma interna considera como falta grave, entre outras, as ações políticas que beneficiam  objetivamente pessoas ou grupos opositores à política de Revolução Cidadã", explicou a AP por meio de sua secretária-executiva, Gabriela Rivadeneira.

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Pouco depois, em uma breve declaração no palácio presidencial de Carondelet, ministros não reconheceram a decisão, que chamaram de "arbitrariedade" que não representa o sentimento das bases do partido.

"Eles sabem muito bem que o presidente da Aliança País, como todos seus dirigentes nacionais, são eleitos em uma convenção nacional. Lamentamos esta decisão. Nós continuaremos trabalhando como militantes de nossa organização", declarou Miguel Carvajal, ministro de Gestão Política.

O partido de esquerda, no poder desde 2007, nomeou o ex-chanceler Ricardo Patiño, ligado a Correa, para presidir a AP.

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"Hoje adotamos uma decisão valente (...). O presidente da República chegou à presidência com o voto de mais de 50% dos equatorianos, não chegou com o plano de governo da oposição, mas está aplicando o plano de governo da oposição", declarou Patiño.

A ruptura entre Moreno e Correa atingiu um ponto sem retorno quando o presidente anunciou uma consulta popular - sem data prevista - para suprimir a reeleição indefinida aprovada pelo ex-presidente, um passo que para muitos visa impedir o retorno de Correa ao poder em 2021.

A crise política também envolve o vice-presidente Jorge Glas, aliado de Correa e atualmente detido sob a acusação de ter recebido subornos milionários da construtora brasileira Odebrecht. /AFP

 

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