Mariana Bazo/Reuters
Mariana Bazo/Reuters

Presidente do Peru afirma que pedido de destituição é 'golpe de Estado disfarçado'

Congresso votará se Pedro Pablo Kuczynski deve deixar o cargo por acordos feitos com a Odebrecht, tornando-se o primeiro presidente a cair devido ao caso de corrupção que atinge diversos países

O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2017 | 02h24

LIMA - O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, disse nesta quarta-feira, 20, que o país enfrenta "um golpe de Estado disfarçado" com o pedido de destituição feito contra ele pelo Congresso, que debaterá e votará a questão nesta quinta-feira, 21.

"A Constituição e a democracia estão sob ataque. Estamos sob um golpe baixo sob o disfarce de interpretações legais supostamente legítimas", enfatizou Kuczynski em uma mensagem transmitida pela TV. Na ocasião, ele estava acompanhado pelos vice-presidentes Martín Vizcarra y Mercedes Aráoz.

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A votação desta quinta-feira decidirá se o presidente peruano será destituído do cargo por "incapacidade moral permanente" por ter mantido relações com a Odebrecht e recebido dinheiro para beneficiá-la. Kuczynski disse que vai defender sua "capacidade moral" quando estiver na sessão do Congresso e pediu desculpas a todos os peruanos por ter sido "desleixado" ao manejar seus negócios.

"Ser descuidado e desleixado é um defeito, mas não é, não tem sido nem será jamais para mim uma ferramenta de desonestidade e muito menos de delito", disse o mandatário peruano. Kuczynski alfinetou a "atitude agressiva da maioria opositora que controla o Congresso", fazendo referÊncia ao partido de Keiko Fujimori.

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Caso seja destituído, ele será o primeiro presidente a perder o cargo pelo caso Odebrecht, empresa que admitiu ter pago milhões de dólares em subornos em vários países da América Latina para conseguir contratos de obras públicas.

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Protesto. Milhares de peruanos marcharam nesta quarta-feira, 20, em Lima, capital do país, contra a corrupção às vésperas da votação que decidirá se o presidente do Peru será destituído.

Quatro marionetes pretos, representando os presidentes peruanos com acusações de corrupção, lideraram a mobilização que foi organizada por vários grupos civis. "Deixem todos ir" e "Uma marcha pela democracia" foram os slogans em grandes bandeiras.

A marcha pacífica começou no fim do dia, na Plaza San Martín, a cerca de 500 metros do Palácio do Governo, e continuou ao longo da Avenida Abancay central. "Marchamos contra os corruptos da Odebrecht", disse Rosa Chávez, estudante da Universidade Nacional de São Marcos.

No final de marcha, a polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo em um grupo que tentou chegar à Plaza San Martín através de uma rota que não tinha sido combinada com os organizadores. /AFP

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