EFE/Kabir Dhanji
EFE/Kabir Dhanji

Kenyatta é reeleito e resultado desata atos de violência no Quênia

Forças de segurança usaram bombas de gás contra manifestantes, que ergueram barricadas e jogaram pedras

O Estado de S.Paulo

11 Agosto 2017 | 16h50

NAIRÓBI -  O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, foi reeleito em uma votação marcada por denúncias de fraude do opositor Raila Odinga. Segundo a Comissão Eleitoral (IEBC), Kenyatta obteve 54,2% dos votos e Odinga, 44,7%. 

Após o anúncio, Kenyatta prometeu dialogar com o rival. No entanto, o resultado desatou violentos protestos em Nairóbi. A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e efetuou disparos para conter as milhares de pessoas que jogavam pedras, e ergueram bloqueios com pneus em chamas. Em 2007, a violência pós-eleitoral deixou mais de mil mortos no país. 

A votação ocorreu na terça-feira em um clima relativamente calmo, mas a oposição fez diversas acusações de fraude. As missões de observação internacionais qualificaram as eleições de transparentes e pediram paciência aos quenianos.

A coalizão opositora Nasa insistiu nas acusações de fraude, afirmando ter provas, segundo fontes internas da Comissão Eleitoral, de que Odinga teria vencido. Em uma resposta escrita enviada à oposição, a comissão afirmou ter observado erros matemáticos nos documentos que supostamente apontam a vitória de Odinga e procedem, segundo o organismo, de uma base de dados da Microsoft, quando a IEBC utiliza softwares de outra empresa.

Odinga, de 72 anos, afirmou, em entrevista à rede americana CNN, que estava “decepcionado” com os observadores. “Não queremos ver nenhuma violência no Quênia (...), mas não controlo ninguém. As pessoas querem justiça.”

O comportamento de 150 mil membros das forças de segurança será crucial nos próximos dias. A Anistia Internacional e Odinga pediram às autoridades que evitem o uso desproporcional da força. As acusações aumentaram ainda mais a rivalidade de meio século entre as famílias Kenyatta e Odinga. 

A eleição foi considerada o confronto final entre dois homens, cujos pais, Jomo Kenyatta e Jeramogi Odinga, foram aliados na luta pela independência do Quênia, mas se tornaram grandes rivais. Odinga disputou quatro eleições presidenciais e rejeitou os resultados tanto em 2007 como em 2013. / AFP e EFE

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