Guillermo Granja/Reuters
Guillermo Granja/Reuters

Ex-aliados abrem guerra no Equador

Ex-presidente Rafael Correa defende expulsar do partido o seu sucessor, Lenín Moreno, e diz que pode se candidatar às eleições de 2021

O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2017 | 12h25

BRUXELAS - O ex-presidente do Equador Rafael Correa confirmou nesta quinta-feira que seu partido, o Aliança País, expulsará o atual presidente equatoriano, Lenín Moreno. “Vamos expulsar as pessoas que traíram nosso programa de governo”, afirmou Correa em Bruxelas, onde vive desde setembro. As críticas de Correa abriram uma nova frente de batalha entre os dois ex-aliados.

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Moreno foi eleito com apoio de Correa. Depois de assumir, no entanto, descolou sua imagem da do ex-presidente e adotou uma política econômica mais conservadora, de contenção de gastos. O ex-presidente não gostou. Antigo aliado do bolivarianismo venezuelano, Correa ameaçou suspender seu período sabático em Bruxelas – ele é casado com a educadora belga Anne Malherbe Gosseline – e retomar a presidência do Equador nas eleições de 2021.

Nesta quinta-feira, Correa voltou a acusar Moreno de atrasar o Equador em “20 anos”. Correa qualificou seu sucessor como “traidor” e disse que ele “está governando com a direita e com os banqueiros”.

Correa retorna ao Equador hoje para participar de uma convenção do partido, no dia 3. A reunião foi convocada pela ala favorável ao ex-presidente. Em outubro, a direção nacional do Aliança País, aliada de Correa, tentou destituir Moreno do cargo de presidente do partido, mas o Conselho Nacional Eleitoral não reconheceu a decisão, alegando que ela não tinha sido tomada em uma convenção nacional. Agora, o partido vai além.

“Na convenção, será tomada a decisão de expulsar Lenín Moreno”, assegurou Correa. O ex-presidente equatoriano acredita que conta com a maioria da base do partido e “há razões mais do que suficientes” para expulsar o atual presidente.

Questionado se planeja voltar a disputar a presidência do Equador, Correa respondeu que sua intenção era se aposentar da política, mas que agora não descarta essa possibilidade. “Com tudo que aconteceu, muito provavelmente terei de retornar em 2021, se não me inabilitarem.”

Através de sua conta no Twitter, as críticas de Correa a Moreno se intensificaram quando o atual presidente assegurou que seu antecessor sofria de uma “síndrome de abstinência” de poder e havia deixado o Equador em uma situação econômica “crítica”.

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O confronto entre os dois dividiu o partido governista, do qual Correa foi um dos fundadores. A ala “correista” acusa Moreno de dar uma guinada à direita, afastando-se da base social. O atual presidente rejeita as críticas. Moreno foi eleito em abril com 51% dos votos no segundo turno. Ele derrotou o empresário Guillermo Lasso, candidato conservador, que obteve 49%. / AFP e EFE

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