REUTERS/Lean Daval Jr
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Presidente filipino decide envolver Exército em campanha antidrogas

Rodrigo Duterte não explicou o âmbito de atuação dos militares, nem deu indicação sobre o número de soldados envolvidos; ele qualificou a questão das drogas como 'uma ameaça à segurança nacional'

O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2017 | 13h33

MANILA - O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, afirmou nesta quinta-feira, 2, que assinará uma ordem executiva para envolver o Exército em sua polêmica guerra contra as drogas, que deixou mais de 7 mil mortos no país em sete meses. Duterte fez o anúncio em discurso na sua cidade natal, Davos. No pronunciamento, o presidente confirmou que a Polícia não terá mais participação nas operações relacionadas com a campanha.

"Estou envolvendo as Forças Armadas das Filipinas e elevando o problema das drogas como uma ameaça à segurança nacional. Por isso pedirei ao Exército para prestar apoio", afirmou Duterte no discurso, transmitido ao vivo pelas emissoras locais.

Duterte não explicou qual seria o âmbito de atuação dos militares na campanha antidrogas, nem deu qualquer indicação sobre o número de soldados que seriam envolvidos, mas disse serem necessários. Ele também ameaçou com mais mortes os narcotraficantes e usuários de drogas, a quem chamou de "filhos da p...".

O programa de combate às drogas de Duterte começou no dia de sua posse, 30 de junho de 2016. A maior parte dos 7 mil mortos desde então foi executada de forma extrajudicial.

Na segunda-feira, Duterte tinha suspendido temporariamente o programa de combate às drogas no país. A paralisação ocorreu após o assassinato de um empresário sul-coreano por agentes, o que, segundo ativistas de direitos humanos, evidenciou práticas corruptas nas forças de segurança.

Duterte prometeu focar em "limpar" a corrupção na polícia no curto prazo. Assim que a tarefa for concluída, ele pretende retomar a campanha antidrogas e mantê-la até o fim de seu mandato, que vai até 2022.

Cerca de 7.600 pessoas foram mortas desde que Duterte iniciou sua guerra às drogas sete meses atrás, mais de 2.500 no que a polícia afirmou terem sido tiroteios durante batidas e infiltrações.

A Anistia Internacional (AI) apresentou na quarta-feira um relatório que acusa o governo de Duterte de cometer "crimes contra a humanidade" na campanha contra as drogas, ao afirmar que altos funcionários do Executivo encobrem a contratação de matadores de aluguel, falsificação de relatórios e roubos cometidos por policiais. / EFE, AFP e REUTERS

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