EFE/Ritchie B. Tongo
EFE/Ritchie B. Tongo

Presidente filipino é figura inquestionável em Davao

Habitantes da cidade da qual Rodrigo Duterte foi prefeito por mais 20 anos dizem que antes dele ocupar o gabinete local, índice de criminalidade era muito alto e, com o tempo, líder se transformou em uma figura ‘quase divina’

O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2016 | 09h51

DAVAO, FILIPINAS - O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, conta com um apoio maciço na cidade de Davao, no sul do país, da qual foi prefeito por mais de 20 anos e onde ninguém parece estar disposto a questionar ou criticar suas políticas.

"Ninguém fala mal dele desde que foi eleito presidente", disse o editor-chefe da edição local do jornal filipino Manila Bulletin, Jonathan Santes. "Gostaria de pensar que há pessoas que o criticam, como antes, mas estão muito caladas", acrescentou.

Os habitantes de Davao descrevem que antes de Duterte assumir a prefeitura, em 1988, o índice de criminalidade era tão alto que os assassinatos a sangue frio acontecidos nas ruas não eram investigados. "Inclusive policiais eram baleados na rua. Isso era normal", relatou Santes. "A cidade estava cheia de criminosos, e Duterte foi fundamental para 'limpar' Davao."

Com o tempo, os esforços transformaram Duterte em uma figura "quase divina", cujo nome se vê praticamente em cada rua da cidade em grandes cartazes que lhe dão os parabéns pela vitória nas eleições presidenciais, em 9 de maio, ou agradecem por seu trabalho. "A grande maioria das pessoas da cidade idealiza a figura de Duterte. Se você tiver uma opinião diferente, não diga, pois as pessoas não vão gostar de você", contou Santes.

Taxistas, comerciantes, cabeleireiros, garçons ou estudantes, ninguém é capaz de mencionar um aspecto negativo do líder, destacando seu grande coração e sua honestidade, embora nos últimos meses tenha convocado os filipinos em várias ocasiões a matar seus vizinhos que estiverem envolvidos com o narcotráfico.

As críticas abertas de EUA, União Europeia e ONU, que afirmam que o governo de Duterte não garante os direitos humanos básicos em sua campanha contra as drogas - que já causou mais de 5,6 imil mortes desde a posse do presidente filipino, no dia 30 de junho -, não parecem afetar os cidadãos de Davao.

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"Os que se metem com ele deveriam nos entender. Na realidade, Duterte tem um coração de ouro. Ele diz que não se importa em ir para o inferno para que seu povo viva no paraíso", afirmou Nancy Planas, funcionária de uma barbearia situada em uma das principais ruas de Davao. "Pessoalmente não ouvi falar de ninguém daqui que não goste de Duterte", contou ela.

Um bom indicativo do apoio absoluto ao presidente filipino na região são os resultados das eleições presidenciais: 96,6% dos votos cidade foram para Duterte. No Hotel Uno, como em muitos outros estabelecimentos de Davao, a primeira coisa que o cliente encontra é uma figura de papelão em tamanho natural do líder filipino. "Votei em Duterte porque é um homem leal e honesto", disse um dos funcionários do estabelecimento, Harold Garrido, enquanto abraça a figura do presidente.

Alguns dos comércios humildes de Davao, os quais Duterte costumava visitar antes de ganhar as eleições, se transformaram em uma visita obrigatória para seus seguidores, como o restaurante Sana e o bar After Dark, que o líder ainda frequenta para aproveitar um de seus maiores passatempos: o karaokê.

O presidente filipino também ganhou a confiança de quase toda a região sul do arquipélago, uma área conturbada e dividida durante décadas por conflitos religiosos e territoriais nos quais há influência de dezenas de grupos rebeldes, tribos indígenas, clãs e companhias com interesses econômicos.

Das 27 províncias da região de Mindanao, Duterte foi o mais votado em 23 delas. "É o primeiro presidente de Mindanao, e o povo da região não poderia estar mais orgulhoso disso. Esperamos finalmente ter um líder que não se concentre tanto na 'Manila imperial' e que traga algum progresso à região", apontou Santes. / EFE

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