Presidente indonésio emite mandado de segurança

O presidente da Indonésia, Abdurrahman Wahid, emitiu um decreto nesta segunda-feira ordenando às forças de segurança para tomar medidas duras para manter a lei e a ordem no país. A decisão foi anunciada dias antes de o Parlamento indonésio se reunir para pedir a abertura de processo político contra Wahid. Depois do anúncio, o ministro de Segurança, Susilo Bambang Yudhoyono, disse que o decreto não representa um estado de emergência ou lei marcial, como Wahid havia ameaçado decretar recentemente. Em separado, o ministro da Defesa, Mohammad Mahfud, disse que nenhuma prisão foi ordenada. "Eu ordenei ao ministro da Defesa que tomasse medidas especiais e coordenasse as funções de todas as forças de segurança para superar a crise e garantir a lei, a ordem e a segurança imediatamente", informou Wahid, por meio de comunicado. O próprio Wahid explicou mais tarde que o decreto foi emitido para evitar que manifestantes a favor e contra o governo não se confrontem nas ruas da Indonésia. O presidente também acusou a oposição de usar a imprensa para destruir sua reputação. Wahid já havia ameaçado, no sábado, que poderia decretar lei marcial ou estado de emergência para se manter no poder. Os parlamentares do país pretendem se reunir na quarta-feira para pedir a abertura do processo de impeachment do presidente, acusado de corrupção e improbidade administrativa. O presidente indonésio também avisou que qualquer medida do Parlamento que possa resultar em seu impeachment poderia detonar uma nova onda de violência. Segundo Wahid, novos confrontos podem até mesmo levar à dissolução da Indonésia, um país com 210 milhões de habitantes. Horas depois do anúncio, manifestantes pró-Wahid foram às ruas de Java, onde o presidente é reconhecido como líder Islâmico, e pediram que os integrantes da oposição sejam mortos e atacaram casas e escritórios de políticos rivais. Uma multidão, armada de foices e porretes, queimaram dois escritórios do Partido da Luta Democrática Indonésia, comandado pela vice-presidente do país, Megawati Sukarnoputri, e principal rival política de Wahid. Segundo a polícia, ninguém ficou ferido.

Agencia Estado,

28 Maio 2001 | 03h34

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