Presidente indonésio pode decretar lei marcial

O presidente da Indonésia, Abdurrahman Wahid, admitiu neste sábado a hipótese de declarar lei marcial no país e, assim, evitar seu julgamento político. Wahid, entretanto, ainda acredita que a vice-presidente do país, Megawati Sukarnoputri, aceite a proposta de dividir o poder com o presidente, única alternativa para encerrar com a crise política indonésia. O Parlamento da Indonésia já censurou Wahid publicamente duas vezes, por acusações de corrupção, e deve se reunir na próxima quarta-feira para pedir abertura do processo de impeachment do presidente indonésio. O presidente indonésio fez, recentemente, uma oferta à vice-presidente Megawati, pedindo que ela divida o poder no país e encerre a crise política. Mas, nesta sexta-feira Megawati anunciou que não aceitará a proposta de Wahid. Os aliados de Megawati dizem que um acordo como esse seria inconstitucional. Wahid afirma ter esperanças de que a vice-presidente mude de idéia e aceite a oferta. Em entrevista coletiva neste sábado, o presidente disse que ainda não havia descartado totalmente a possibilidade de fechar o Congresso e decretar lei marcial. Blefe Os principais generais indonésios, porém, já ofereceram apoio à vice-presidente e avisaram a Wahid que não tente nenhum golpe contra a constituição. O presidente, por sua vez, disse que ainda conta com o apoio dos militares e que as manobras do Parlamento contra ele são ilegais. "Como isso pôde acontecer... até chegarmos ao ponto de declarar uma emergência civil? Foi por causa do Parlamento que passou dos limites de sua autoridade", disse o presidente. Wahid reiterou que não tem nenhuma intenção de renunciar e sustentou que ainda pode abrir caminho para outras negociações, a fim de evitar seu julgamento político. Ele alertou que um eventual processo de impeachment ou renúncia pode detonar uma nova onda de violência no país. "O melhor é encontrar uma solução política que não viole a constituição", disse. O parlamentar Alvin Lie, um dos principais críticos de Wahid, disse que os deputados votarão a favor do julgamento político. "A ameaça de lei marcial não passa de um blefe. Ele não tem nenhum poder", disse Lie. "Wahid sairá na primeira semana de agosto", quando o Parlamento deve votar o processo de impeachment.

Agencia Estado,

26 Maio 2001 | 04h58

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