EFE/EDUARDO CAVERO
EFE/EDUARDO CAVERO

Presidente peruano chama processo para destituí-lo de golpe de Estado

Pedro Pablo Kuczynski se diz alvo de perseguição política do fujimorismo, que, no controle do Congresso, já destituiu cinco de seus ministros

O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2017 | 11h56

LIMA - O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, qualificou na madrugada desta quinta-feira,21, de golpe de Estado o pedido de destituição contra ele por seu envolvimento com a Odebrecht e garantiu que defenderá sua "capacidade moral" diante do Congresso em sessão que pode tirá-lo do cargo.

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“Defenderei minha capacidade moral na sessão do Congresso que analisará o pedido de destituição”, declarou o presidente em breve mensagem transmitida em rede nacional, ao lado dos vice-presidentes, Martín Vizcarra e Mercedes Aráoz. “A Constituição e a democracia estão sob ataque. Estamos diante de um golpe sob o disfarce de interpretações legais supostamente legítimas.”

PPK, como é conhecido,  pediu desculpas ao povo peruano por ter sido "desleixado” ao administrar seus negócios. “Esses defeitos nunca foram e jamais serão para mim ferramentas de desonestidade e muito menos de crime”, afirmou Kuczynski, que denunciou a atitude agressiva da maioria opositora que controla o Congresso, em referência ao partido de Keiko Fujimori. “Nos primeiros quinze meses (de governo), cinco dos meus ministros foram censurados ou forçados a renunciar, um verdadeiro recorde histórico. Não somos perfeitos, mas agora fica evidente que desde o início se buscava chegar ao que ocorre hoje.”

O presidente apresentará suas alegações das 09h local (12h de Brasília) desta quinta-feira a um Congresso dominado pela oposição e decidido a destituí-lo. Kuczynski corre o risco de virar o primeiro presidente a perder seu posto por causa da Odebrecht, que admitiu ter pago milhões de dólares em propinas em vários países latinos-americanos para obter importantes contratos de obras públicas.

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Corrupção

A Odebrecht revelou que pagou quase US$ 5 milhões por serviços de assessoria a empresas vinculadas a Kuczynski entre 2004 e 2013. A empresa afirmou, no entanto, que os pagamentos foram realizados de forma legal e não contaram com a participação do presidente.

Do total, US$ 782 mil dólares foram destinados a Westfield Capital, empresa de Kuczynski, quando ele era ministro da Economia e presidente do Conselho de Ministros do governo de Alejandro Toledo (2001-2006). Outros US$ 4,05 milhões foram destinados para a First Capital, empresa de um ex-sócio.

Protesto

Na noite desta quarta-feira, milhares de pessoas participaram de um protesto em Lima contra a corrupção e pela saída "de todos os corruptos". A passeata começou na Praça San Martín, a cerca de 500 metros do Palácio de Governo, e prosseguiu pela central Avenida Abancay.

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No final da passeata, a polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo contra um grupo que tentou chegar à Praça San Martín por um caminho não autorizado.

José Bracamonte, porta-voz da Coordenadoria Nacional dos Direitos Humanos, uma das organizadoras do protesto, destacou que "não estamos a favor de um político, e sim contra todos os corruptos".

"Todos os peruanos estão assombrados com os casos de corrupção da Odebrecht. Ao que parece nenhum presidente escapa de ter recebido dinheiro desta construtora (...). Não vamos permitir qualquer golpe contra a democracia, que é o que pretende o fujimorismo, mas também não vamos proteger ninguém". /AFP

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