1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Presidente ucraniano abandona a capital Kiev após pressão de opositores

Lourival Sant’Anna - enviado especial - O Estado de S. Paulo

22 Fevereiro 2014 | 12h 33

Manifestantes estreitaram o cerco em torno da Praça da Independência após acordo firmado com Yanukovich por temerem estratégia do presidente para reassumir o controle

KIEV - Depois de três meses de manifestações que deixaram cerca de cem mortes, o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, deixou ontem a capital, Kiev. Manifestantes munidos em geral de bastões - embora alguns tenham armas de fogo -, escudos e capacetes tomaram o controle dos pontos estratégicos da cidade, incluindo o gabinete e a residência presidenciais, o Parlamento, o Banco Central e os ministérios. O país, cujo primeiro-ministro, Mykola Azarov, caíra em dezembro, parecia ontem sem governo.

Yanukovich apareceu pela tarde em uma rede local de televisão dizendo que seu carro tinha sido alvo de disparos, mas não aparentava ter ferimentos, de acordo com a agência Reuters. "Não estou com medo", declarou o presidente. "Sinto pena do meu país, aterrorizado por gângsteres." Ele acrescentou que viajaria pelo sudeste do país para se encontrar com a população. Aparentemente, a entrevista foi feita em Kharkiv, no nordeste da Ucrânia. Toda a faixa leste e o sul são considerados redutos do presidente e favoráveis à Rússia.

O comando das Forças Armadas anunciou que não se envolveria na disputa política. "As Forças Armadas da Ucrânia são leais a suas obrigações constitucionais e não podem ser arrastadas para um conflito político interno", afirmou comunicado publicado ontem no site do Ministério da Defesa.

Durante a noite de sexta para sábado, os manifestantes estreitaram o cerco em torno da Praça da Independência temendo que, depois de um acordo mediado por países europeus e firmado com a oposição, Yanukovich declarasse estado de emergência e ordenasse a sua retomada pelo Exército. Kiev amanheceu sob tensão, com os manifestantes arregimentando forças para um possível confronto. Mas os militares não apoiaram o presidente.

O efetivo das Forças Armadas ucranianas é formado pelo serviço militar obrigatório, e os soldados não se mostravam dispostos a cumprir ordens de reprimir a população. Os recrutas chegaram a mobilizar suas mães para se manifestar na frente dos quarteis contra um eventual envolvimento do Exército na repressão. Ela estava a cargo da polícia, que visivelmente não tinha efetivo suficiente para conter os milhares de manifestantes que a enfrentavam com pedras e coqueteis molotov em Kiev e em outras cidades, sobretudo do oeste do país.

A notícia da saída de Yanukovich foi recebida com fogos de artifício na Praça da Independência, epicentro do movimento, às 15h em Kiev (10h em Brasília). Ela veio acompanhada do rumor de que a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, líder da oposição, teria sido solta da prisão. Mas, segundo sua porta-voz, ela continuava presa.

Yulia foi condenada em 2011 a sete anos de prisão, acusada de desvio de dinheiro em um contrato de gás com a estatal russa Gazprom. Na sexta-feira, o Parlamento aprovou a sua libertação em março. Yulia liderou a chamada Revolução Laranja, em 2004, movimento popular que resultou na anulação da eleição de Yanukovich. Em 2010, ela foi derrotada por ele nas urnas, em uma eleição que segundo os opositores também foi fraudada.

Cedendo a pressões dos manifestantes e da União Europeia, Yanukovich anunciara concessões na sexta-feira, incluindo mudanças constitucionais para devolver ao Parlamento poderes que ele havia transferido para a presidência, como o de nomear o primeiro-ministro, seu gabinte e os governadores regionais, e a antecipação, para este ano, das eleições presidenciais e parlamentares previstas para 2015. O acordo foi rejeitado pelos manifestantes, que acusaram de traição os principais partidos de oposição, por tê-lo aceitado.

Você já leu 5 textos neste mês

Continue Lendo

Cadastre-se agora ou faça seu login

É rápido e grátis

Faça o login se você já é cadastro ou assinante

Ou faça o login com o gmail

Login com Google

Sou assinante - Acesso

Para assinar, utilize o seu login e senha de assinante

Já sou cadastrado

Para acessar, utilize o seu login e senha

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão

Quero criar meu login

Acesso fácil e rápido

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha

Esqueci minha senha

Acesso fácil e rápido

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo

Cadastro realizado

Obrigado, você optou por aproveitar todo o nosso conteúdo

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail. Clique no link fornecido e crie sua senha

Importante!

Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail esta ativado

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo