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Pressão econômica ameaça independência da Catalunha

Em meio à crise, grandes bancos e empresas estão deixando a região, com o apoio do governo central de Madri.

O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2017 | 17h31

Diretores do Caixabank, terceiro maior banco da Espanha, decidiram deixar sua sede social em Barcelona nesta sexta-feira, 6. A nova sede ficará em Valência e a mudança foi justificada com o argumento de que permitirá "proteger plenamente a segurança jurídica e regulatória" da empresa. A decisão foi tomada depois que o governo espanhol publicou, pela manhã, um decreto que simplifica a mudança de sede social, tornando-a decisão do conselho administrativo das empresas, e não da junta geral de acionistas.

Para o ministro da economia, Luis de Guindos, as ações do executivo separatista catalão são "políticas irresponsáveis", que geram "preocupação e incerteza, e isso é o pior que pode haver no mundo empresarial". A declaração foi feita após a reunião semanal de ministros do país. 

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Na quinta-feira, o Banco de Sabadell, segundo maior da região, já tinha anunciado a mudança de sua sede para Alicante, indicando que não prevê mudanças nas equipes. O principal objetivo dos bancos é se manter na zona do euro no caso de uma declaração unilateral de independência por parte das autoridades catalãs, e, assim, garantir seu acesso ao financiamento do Banco Central Europeu (BCE). 

No caso de uma separação, a mudança também permite continuar pagando seus impostos para o Estado espanhol, e não à embrionária Fazenda catalã.  Para o economista e professor Juan Fernando Robles, a mudança dos bancos "é mais cosmética que real". "É um movimento para acalmar a incerteza do mercado financeiro e dos clientes e evitar especulações", completou. 

Os banco catalães, que desde segunda sofreram grandes perdas de ações, temem uma fuga de depósitos. O diretor de uma agência do CaixaBank que não quis revelar sua identidade confirmou que alguns clientes individuais tiraram seu dinheiro com medo de perdê-lo, ou por raiva das autoridades separatistas.  "Faz duas semanas comecei a me preocupar e pensei em tirar meu dinheiro do Sabadell, mas agora que foram para Alicante me sinto mais segura", admitiu Tamara Díez Otero, agente imobiliário de 36 anos.

Robert Tornabell, especialista em bancos da escola de comércio catalã Esade, confirma que houve retiradas, mas sem "grandes somas". "Não há pânico" por enquanto, garante.  Contudo, diante das preocupações crescentes, os bancos "não têm outra saída" a não se mudar sua sede social. "O que acontece é que, ao fazê-lo, provocam grande pressão, porque os separatistas tinham prometido que nenhuma empresa iria embora", explica Tornabell. 

"As grandes fortunas já estão há meses levando dinheiro para Madri e Valência", com medo desta possível declaração de independência, garante Tornabell.  O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou, nesta sexta, que "as tensões e a incerteza relacionadas à Catalunha poderiam pesar na confiança e nos investimentos na Espanha", a quarta maior economia da zona do euro./AFP

 

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