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AP Photo/John Minchillo

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Prévias republicanas são termômetro de campanha contra Donald Trump

Após uma série de ataques e discursos para desabonar o polêmico empresário, partido terá ideia se esforço está dando certo com as votações em outros cinco Estados entre hoje e amanhã

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O Estado de S. Paulo

05 Março 2016 | 07h00

WASHINGTON - Após uma semana que consolidou Donald Trump à frente de Ted Cruz e Marco Rubio – e dividiu a legenda na corrida à Casa Branca –, o Partido Republicano terá hoje e amanhã mais uma rodada de prévias para a escolha de delegados que votarão na convenção de julho e definirá um candidato à presidência dos EUA. Nos dois dias de votação, o partido saberá se sua estratégia para desabonar Trump está tendo algum efeito. 

Nesse esforço para reverter a vantagem do bilionário, que com sua retórica xenófoba e racista já mancha a imagem do partido, os dois candidatos que disputam o segundo lugar na preferência das pesquisas se uniram nos ataques a ele na quinta-feira à noite.

 

Nesse mesmo dia, um dos mais importantes nomes republicanos da atualidade e ex-candidato em 2012, Mitt Romney fez um duro ataque a Trump, tentando desacreditá-lo como representante dos republicanos na corrida presidencial. 

Em tom de urgência, os senadores Cruz (Texas) e Rubio (Flórida) atacaram Trump, que respondeu de forma ríspida. Jornais americanos criticaram a falta de novos argumentos e o festival de agressividade. O quarto candidato da disputa, o governador de Ohio, John Kasich, evitou os ataques pessoais e disse que era o único capaz de vencer a pré-candidata democrata Hillary Clinton. 

Apesar das críticas ao magnata, no entanto, Cruz e Rubio disseram que o apoiarão relutantemente se for escolhido como candidato do partido para a eleição de novembro. 

Questionados pelos moderadores do canal de TV Fox News, os três pré-candidatos assumiram esse compromisso apesar dos esforços de veteranos do Partido Republicano para criar uma coalizão de eleitores republicanos anti-Trump e escolher outra pessoa no lugar do incendiário bilionário de Nova York.

Embora os três concorrentes de Trump tenham seguido o dogma do partido, insistindo que colocarão suas preocupações de lado e endossarão o indicado da legenda, disseram que o farão com relutância. 

Indagado sobre se apoiará o escolhido republicano caso se trate de outro que não ele, Trump pareceu surpreso com a pergunta, dado o bom momento de sua campanha, mas finalmente respondeu “sim, irei”. Trump, de 69 anos, defendeu-se do ataque contundente de Romney e o chamou de candidato fracassado.

Escolhas. Entre hoje e amanhã, o partido terá primárias ou caucuses nos Estados de Kansas, Kentucky, Louisiana, Maine e Porto Rico. Os Estados poderão servir de termômetro do esforço do establishment republicano para evitar a indicação de Trump. 

Ontem, um dos principais grupos contrários a Trump dentro da legenda, o Comitê de Ação Política (PAC) Our Principles (Nossos Princípios) informou sua arrecadação mais que dobrou na última semana, segundo seu porta-voz, Tim Miller, indicando que mais pessoas estão dispostas a evitar que o bilionário vença. 

Números não oficiais mostram que o PAC teria arrecadado cerca de US$ 3,6 milhões nesse período. Uma das cabeças do grupo é a família de bilionários Ricketts, de Nebraska – Estado que terá hoje uma primária do Partido Democrata. 

Grupos conservadores como American Future Fund and Club for Growth também viram crescer as arrecadações para suas próprias campanhas contra o bilionário, após as vitórias de Trump nas primárias na semana passada e na Superterça que solidificaram seu nome como líder da corrida. 

Segundo muitos analistas políticos, porém, essa reação pode ter vindo tarde demais. Ignorar a preferência daqueles que deram 10 vitórias a Trump em 15 prévias poderia ter um custo ainda maior para o Partido Republicano. A melhor opção agora seria tentar impedir que ele consiga o número necessário de delegados na Convenção Nacional Republicana. 

Já há reação também do lado democrata. Grupos de ativistas e políticos hispânicos lançaram uma nova campanha para incentivar a presença e a influência dos latinos no processo eleitoral. “Donald Trump ameaça a democracia nos EUA”, declarou o deputado por Illinois, Luis Gutiérrez, durante o lançamento da campanha Latinos Despiertos, que reúne políticos hispânicos e grupos comunitários e religiosos em Chicago. 

Na opinião do parlamentar, a comunidade hispânica está sob ataque e deve enfrentar com o voto as táticas de “ódio, intolerância e preconceito” do magnata, que no discurso que o lançou candidato chamou imigrantes mexicanos de “criminosos” e “bandidos”. 

Os grupos têm destacado o aumento do registro de latinos jovens para votar. Segundo eles, desde junho, quando Trump anunciou sua candidatura, esse crescimento foi de 60%. / AFP, AP, EFE e REUTERS 

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