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Primárias dos EUA são reflexo da polarização

- Atualizado: 11 Fevereiro 2016 | 20h 19

Dianteira de candidatos com discursos mais extremos nos partidos espelha sociedade

Republicanos são contra o aborto, rejeitam controles sobre o direito de portar armas, não gostam do casamento gay e querem a revogação do Obamacare. Democratas têm posições opostas em todos esses pontos. Na mais polarizada eleição americana em décadas, os dois partidos se moveram para extremos ideológicos, que se refletem nas propostas defendidas pelos candidatos em suas campanhas.

A base das duas legendas também se distanciou e demanda de seus representantes posições mais radicais. Em pesquisa com eleitores que votaram nas primárias de New Hampshire, 70% dos republicanos se identificaram como “conservadores”. Quatro anos atrás, 53% abraçavam o rótulo. Entre os democratas, 67% se declararam “liberais”, o termo para definir progressistas. Na eleição presidencial anterior, o universo era de 56%.

Simpatizantes de Trump participam de ato de campanha na na Universidade clemson, na Carolina do Sul

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Em pesquisas nacionais de intenção de voto, metade dos republicanos manifesta preferência por Donald Trump e Ted Cruz, os dois insurgentes que provocam pânico na liderança da legenda por suas posições extremas. O bilionário quer deportar os 11 milhões de imigrantes que vivem sem documentos nos EUA e construir um muro na fronteira com o México.

Cruz defende um imposto único e o fim da Receita Federal americana e é um feroz opositor do Obamacare, a reforma do sistema de saúde que é uma das principais bandeiras do presidente Barack Obama. Entre seus vídeos promocionais, está um em que aparece “cozinhando” bacon para o café da manhã no cano de uma metralhadora, aquecido por disparos.

Do lado democrata, o surpreendente sucesso do senador Bernie Sanders nas urnas e nas pesquisas empurrou a moderada Hillary Clinton para a esquerda. Nos debates, eles disputam a posição de maiores algozes de Wall Street, dos grandes bancos e das megacorporações americanas. Mas enquanto Sanders defende uma “revolução”, Hillary se apresenta como uma reformista pragmática que pode implementar suas propostas.

No centro do embate ideológico entre republicanos e democratas está o legado do governo Obama. Os opositores prometem revogar muitas das principais medidas adotadas pelo presidente. Além do Obamacare, eles miram nas regulações ambientais, no acordo nuclear com o Irã, na reaproximação com Cuba e na reforma migratória.

Entre os democratas que votaram nas prévias de Iowa, as primeiras do país, 53% defenderam a continuidade das políticas do atual presidente. Outros 33% se declararam a favor de medidas mais progressistas. Análise divulgada pelo instituto Gallup no início de 2015 concluiu que os anos de governo do republicano George W. Bush (2001-2009) e do democrata Obama foram os mais polarizados na política americana em seis décadas.

O critério para medir a distância entre os dois partidos é o índice de aprovação de um presidente democrata por republicanos e vice-versa. Em janeiro de 2015, 79% dos democratas aprovavam a gestão de Obama. Entre os republicanos, o índice era de 9%. A distância de 70 pontos porcentuais é idêntica à registrada no início de 2007 durante o governo Bush. Mas na época, os sinais eram trocados: 79% dos integrantes de seu partido e apenas 9% dos democratas tinham uma visão positiva de sua administração.

Na quarta-feira, Obama disse que uma das coisas que lamenta de seu governo é sua inabilidade de reduzir a polarização. "Os especialistas notam com frequência que o tom de nossa política não melhorou desde que eu assumi. Na verdade, ele piorou. É por isso que ainda há essa enorme distância entre a magnitude de nossos desafios e a pequenez de nossa política."

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