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Primeiro-ministro turco apresenta novo gabinete

O Estado de S. Paulo

29 Agosto 2014 | 13h 14

Davutoglu mudou poucos titulares do antigo governo liderado por Erdogan, entre eles o ministro de Relações Exteriores

Burhan Ozbilici/AP
O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu

ANCARA - O novo primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoglu, anunciou nesta sexta-feira, 29, seu gabinete, no qual destaca-se a nomeação de Mevlut Cavusoglu como novo titular das Relações Exteriores. Até então, ele era ministro para a União Europeia.

O novo chefe da diplomacia é um dos membros fundadores do partido islamita da Justiça e o Desenvolvimento (AKP) e entre 2010 e 2012 foi o presidente da assembleia parlamentar do Conselho da Europa.

Davutoglu ofereceu os nomes de sua equipe em um curto comparecimento em Ancara e apostou na continuidade com relação ao governo que liderou o ex-premiê Recep Tayyip Erdogan, novo presidente do país. O novo Executivo se submeterá na semana que vem a um voto de confiança no Parlamento, onde o governamental AKP tem maioria absoluta.

O novo ministro para a UE nomeado nesta sexta é Volkan Bozkir, antigo diplomata que presidia a comissão das Relações Exteriores do Parlamento.

A equipe econômica não sofreu mudanças e continua sendo coordenada pelo vice-primeiro-ministro Ali Babacan. O titular de Economia, Nihat Zeybekci, e o responsável de Finanças, Mehmet Simsek, continuam no cargo, o que é interpretado na imprensa local como uma forma de dar certeza aos mercados.

O gabinete turco, com 21 pastas, contará com quatro vice-primeiro-ministros. Dois deles já estavam no cargo - Bülent Arinç e Babacan - e dois políticos próximos a Erdogan foram nomeados - Yalçin Akdogan e Numan Kurtulmus.

Erdogan, que foi chefe do governo durante quase 12 anos e assumiu a presidência na quinta-feira, assegurou em seu primeiro discurso como presidente que a política externa da Turquia será orientada com renovados esforços rumo ao objetivo de entrar na UE.

As eleições presidenciais do dia 10 foram as primeiras realizadas por sufrágio universal, o que consolida a posição de Erdogan como um dos líderes turcos mais poderosos nas últimas décadas.

A oposição denuncia que Erdogan pode aumentar as tendências autoritárias no país e afirma que Davutoglu, um estreito colaborador do agora presidente, é simplesmente uma marionete.

Desde que ganhou as eleições, Erdogan não ocultou a intenção de apressar ao máximo as atribuições do chefe do Estado, entre elas convocar e presidir as reuniões do Conselho de Ministros. / EFE