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EFE/EPA/MOHAMMED BADRA

Principais cidades da Síria respeitam o cessar-fogo

A esperada trégua entrou em vigor à zero hora local deste sábado, após um acordo fechado entre Rússia e Estados Unidos com o apoio das Nações Unidas.

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O Estado de S. Paulo

27 Fevereiro 2016 | 16h40

As principais cidades da Síria acordaram neste sábado sem o som das bombas depois da entrada em vigor do cessar-fogo entre o regime e os rebeldes, informaram o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) e vários militantes.

A aviação russa anunciou neste sábado a suspensão por um dia de todas as missões de seus aparelhos no país para apoiar o cessar das hostilidades, segundo declarou Serguei Rudskoi, representante do Estado-Maior das forças armadas russas.

Por outro lado, um carro-bomba explodiu na manhã deste sábado na entrada de Salamiya, na Província de Hama, causando duas mortes, segundo a agência oficial Sana. Segundo o OSDH, as vítimas foram dois soldados, mas não se falou de uma quebra da trégua.

O esperado cessar-fogo entrou em vigor à zero hora local deste sábado (19h de Brasília de sexta-feira), após um acordo fechado entre Rússia e Estados Unidos com o apoio das Nações Unidas.

Exatamente no primeiro minuto de sábado, as armas silenciaram nos subúrbios de Damasco e na cidade de Alepo, no norte do país, observou a agência France-Presse. A população saiu às ruas para aproveitar o momento excepcional de calma.

Segundo o OSDH, a calma reinava nas províncias de Homs (centro), Damasco e na região de Alepo (norte). Em todas elas há rebeldes e tropas do regime.

De acordo ainda com o OSDH, ocorreram apenas confrontos esporádicos entre as forças do regime e os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) e da Frente Al-Nusra. Os jihadistas também enfrentaram os curdos na província de Raqa (norte).

O mediador das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, informou que há uma investigação aberta sobre um "incidente" ocorrido logo após a entrada em vigor do cessar-fogo, e avaliou que, inevitavelmente, ocorrerão "incidentes".

A trégua, apoiada por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, é a primeira deste tipo em cinco anos de guerra, que já deixou 270 mil mortos.

O cessar-fogo não envolve os grupos jihadistas Estado Islâmico e Frente Al-Nusra, braço sírio da Al-Qaeda, que controlam importantes zonas do território sírio. De Mistura anunciou sua intenção de convocar para 7 de março uma nova rodada de negociações de paz.

"Sob a condição de que se respeite a suspensão das hostilidades, se Deus quiser e diante da manutenção da entrega da ajuda humanitária, tenho a intenção de voltar a convocar (...) negociações sobre a Síria na segunda-feira, dia 7 de março", declarou Mistura ao Conselho de Segurança.

As conversações precedentes, realizadas em Genebra, foram suspensas no começo de fevereiro.

Imediatamente após a declaração de De Mistura, o Conselho de Segurança adotou - por unanimidade - uma resolução que endossa o cessar-fogo e "exige a suspensão das hostilidades.

O Conselho exortou "todas as partes a respeitar a suspensão das hostilidades" e pediu aos membros do grupo de apoio internacional à Síria "que usem sua influência sobre as partes envolvidas visando garantir o respeito de seus compromissos" e favorecer a aplicação de uma trégua "durável".

A resolução pede, mais uma vez, um acesso humanitário "livre, seguro e rápido" na Síria, em particular para os 4,6 milhões de sírios que se encontram bloqueados em zonas assediadas ou de difícil acesso.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, advertiu Moscou e Damasco que o "mundo está observando" o respeito da trégua.

Mas, durante a trégua, o regime sírio, seu aliado russo e a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos poderão atacar o Estado Islâmico e a Frente Al-Nusra, que ocupam mais metade da Síria.

O chefe da Frente Al-Nusra, Mohamad al Kholani, convocou os opositores de Assad a rejeitar o cessar-fogo e a intensificar os ataques contra o regime. "Cuidado com a armadilha do Ocidente e dos Estados Unidos".

Em Moscou, o presidente russo, Vladimir Putin, prometeu prosseguir com sua "luta implacável" contra o EI, a Frente Al-Nusra e outras "organizações terroristas" excluídas da trégua.

A Turquia, na fronteira com a Síria, declarou estar "seriamente preocupada" com a viabilidade do cessar-fogo. A aviação turca bombardeira as forças curdas sírias e considera que não está comprometida com a trégua. / AFP 

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