Prisão de oligarca russo levanta suspeitas contra o Kremlim

A prisão de um dos maiores oligarcas russos na última quarta-feira tem levantado fortes suspeitas contra o governo de Vladimir Putin. Analistas entenderam a condenação de Platon Lebedev, um dos maiores acionistas da Yukos, a segunda maior companhia petrolífera da Rússia, como um recado do Kremlim ao magnata do petróleo Khodorkovsky, presidente da empresa e aliado de Lebedev. O número 2 da Yukos é acusado de fraude contra o Estado no valor de US$ 283 milhões ao ter adquirido ilegalmente ações de uma estatal em 1994. Entretanto, suspeitas de que o processo é muito mais uma questão política que uma investigação sobre desvio de dinheiro começaram a pipocar pelos jornais do país. Isso porque, recentemente, Khodorkovsky anunciou seu apoio financeiro a dois partidos de oposição ? o Yablokos e o SPS ? que deverão disputar as eleições legislativas em dezembro deste ano. E teria declarado que pretende deixar a direção da Yukos em 2007, possivelmente para concorrer ao cargo de primeiro-ministro. De acordo com o The Moscow Times, a decisão de Khodorkovsky de participar mais ativamente da política russa desagradou em cheio ao governo, que teria buscado, com a condenação de Lebedev, ?dar um recado? ao empresário, insinuando que ele poderia ter o mesmo destino que Vladimir Gusinsky e Boris Berezovsky, atualmente exilados. Segundo a Economist, a decisão da Yukos de comprar a concorrente Sibneft e formar, com isso, a quarta maior companhia petrolífera do mundo, teria feito com que empresários do setor próximos ao governo e descontentes com a aquisição tivessem desempenhado um importante papel no processo. De qualquer forma, o caso envolvendo a Yukos pode, segundo a revista britânica, colocar em risco o desenvolvimento do mercado financeiro na Rússia, que cresceu 40% nos últimos três meses.

Agencia Estado,

04 Julho 2003 | 16h50

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