EFE/PALACIO DE MIRAFLORES
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Procuradora critica violência usada como arma política em protestos na Venezuela

Em novo sinal de dissidência, Luisa Ortega lamenta as 26 mortes ocorridas em um mês de manifestações contra o governo Maduro e saques no país; série de protestos em 2014 deixou 43 mortos em 4 meses

O Estado de S.Paulo

25 Abril 2017 | 16h01

CARACAS - Ao menos 26  pessoas morreram em um mês de manifestações contra o governo de Nicolás Maduro, informou nesta terça-feira a procuradora-geral, Luisa Ortega, ao condenar a violência no país. A crítica foi o mais recente sinal de distanciamento entre a chefe do Ministério Público e a cúpula chavista - num ambiente conhecido por poucas dissidências.

"Não posso tolerar a violência, lamento a morte de 26 pessoas, sejam do governo ou da oposição, a morte de uma pessoa é sempre lamentável. Faleceram quatro adolescentes e 22 adultos", afirmou a procuradora em uma declaração à imprensa. Na série de protestos de 2014, 43 pessoas foram mortas em 4 meses.

A procuradora-geral confirmou que 437 pessoas ficaram feridas e 1.289 foram detidas, das quais 65 permanecem privadas de liberdade, e outras 217 serão levadas aos tribunais nesta terça-feira. Esses atos de violência foram registrados "na maioria dos estados, exceto em seis", informou.

Ortega Díaz expressou solidariedade e condolências aos familiares e amigos das vítimas e repúdio à violência como arma de ação política. "A política não deve nos conduzir à guerra, a política é o exercício do diálogo", afirmou.

Do total de mortos, oito morreram eletrocutados durante um assalto a uma padaria em Caracas, ao entrarem em contrato com água e eletricidade, disse a procuradora-geral, que com este dado retificou o número de nove eletrocutados divulgado inicialmente pelas autoridades.

O Ministério Público venezuelano abriu 26 investigações para determinar cada uma das causas das mortes dessas pessoas. Até o momento, há mais de 12 mandados de captura contra pessoas relacionadas com as mortes. /AFP e EFE

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