AFP PHOTO / Ronaldo SCHEMIDT
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Procuradoria da Venezuela informa que 25 pessoas morreram em protestos no país em um mês

Manifestações realizadas na madrugada deixaram três mortos, dois em Mérida e um em Barinas; marchas têm culminado em confrontos violentos entre opositores e policiais

O Estado de S.Paulo

25 Abril 2017 | 12h15

CARACAS - Um jovem de 23 anos morreu na madrugada desta terça-feira, 25, em um protesto realizado no Estado de Lara, no nordeste da Venezuela, segundo a Procuradoria do país. Com isso, o balanço oficial divulgado é de 25 mortos em um mês de manifestações contra o governo.

“O jovem estava em uma manifestação [...] quando recebeu um disparo na cabeça que levou a sua morte de maneira imediata”, informou um relatório do Ministério Público, que detalhou ainda que o tiro foi feito com uma escopeta.

No início da terça-feira, a oposição realizou atos contra o governo de Nicolás Maduro em importantes vias de todo o país que resultaram em três mortes, duas em Mérida e uma em Barinas, ambas no oeste do país.

Funcionários do governo afirmam que os mortos em Mérida eram manifestantes pró-governo, enquanto os opositores garantem que a vítima em Barinas protestava contra Maduro.

Vários protestos contra o presidente chavista, que começaram no dia 1,º de abril para exigir eleições e respeito à autonomia do Parlamento - de maioria opositora - culminaram em confrontos violentos entre manifestantes e policiais, e até alguns saques.

A oposição prepara uma nova marcha na quarta-feira no centro de Caracas, que pretende chegar à sede de uma das instituições acusadas de servir ao governo chavista. A mobilização seguirá até a Defensoria do Povo, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), localizados no coração da capital, considerado o bastião do chavismo.

Até o momento, os protestos têm sido bloqueados pelas forças de segurança, que dispersam os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo, jatos de água e balas de borracha.

As manifestações começaram após o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) assumir as funções do Legislativo. Mesmo com a reversão da medida, a oposição reforçou o pedido de deposição de Maduro e convocou a população a ir às ruas. O governo e a oposição se responsabilizaram mutuamente pelos incidentes de violência.

Maduro disse no domingo que deseja "eleições já". "Eleições, sim, quero eleições já. É o que eu digo, como chefe de Estado, como chefe de governo", disse o presidente em seu programa na emissora estatal do país. Segundo as pesquisas mais recentes, o mandatário conta com uma rejeição de cerca de 70%.

“Vamos continuar nas ruas até mudar o poder”, disse o deputado opositor Miguel Pizarro, ao anunciar uma nova marcha contra o governo prevista para esta terça-feira em Caracas. /AFP

Veja abaixo: Mortes em protestos na Venezuela

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