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Kim Kwang Hyon | AP

Programa de mísseis também avançou na última década

Apesar de apresentar falhas em alguns testes, Taepodong-2 temcapacidade para atingir território dos EUA

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Roberto Godoy,
O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2016 | 07h18

O programa de desenvolvimento de mísseis da Coreia do Norte é bem-sucedido, e produz resultados notáveis, como o enorme Taepondong-2, de três estágios e alcance intercontinental, indicam os últimos testes.

Disparado da base de Musudan, no norte do país, o gigante pode atingir alvos na Costa Oeste dos Estados Unidos – incluindo Alasca e Ilha de Guam –, Oriente Médio, Europa e Ásia. O míssil, de 36 metros, pode levar carga de ataque de 500 a 750 quilos na ogiva.

Não é o único. A família é grande, abrange 12 diferentes modelos, alguns dos quais com quatro versões. O arsenal das forças norte-coreanas acumula cerca de mil mísseis.

O regime ditatorial de Pyongyang faz política com o Comando de Mísseis. Em 17 de dezembro de 2011, horas depois do anúncio da morte de Kim Jong-il, o pai de Kim Jong-un, a unidade estratégica realizou um teste de precisão com dois mísseis da classe Silkworm.

Um recurso de marketing. A arma é conhecida, funciona bem no limite de 120 km, carregada com cabeças de até 400 quilos de explosivos. É usado contra navios.

Forças. Em paralelo, há preocupação do Ocidente com as Forças Armadas convencionais. São 1,2 milhão de militares – homens e mulheres. As reservas, prontas para ação 72 horas após a mobilização, somam 2,7 milhões, cerca de 10% da população.

O Exército mantém 260 mil combatentes nas Forças Especiais – o maior contingente desse tipo de tropa em todo o mundo.

O país destina para a Defesa 40% do PIB estimado em US$ 40 bilhões. Modernizou toda a frota de 3.500 tanques pesados, armados com canhões de 125 mm.

Em 2009, os militares norte-coreanos receberam um lote suplementar de 1,5 mil unidades fornecidas pela China.

No ano passado a Força Aérea do país anunciou negociações para a compra, em lotes, de até 150 caças Su-30 da Rússia. O negócio ainda não foi concluído.

A Coreia do Norte também faz dinheiro com a sua indústria militar.

Ao longo dos anos 80 e 90, vendeu perto de 400 mísseis, capazes de atingir alvos entre 75 e 450 quilômetros, para o Iraque, o Irã, a Síria, a Líbia, o Paquistão, o Sudão, o Iêmen e o Egito.

Faturou com isso US$ 650 milhões.

Aplicou tudo no programa de armas de tecnologia avançada, novos mísseis principalmente. O modelo mais antigo, o Hwasong, tem raio de ação de 350 km, armado com uma ogiva de 150 quilos.

Apresentado em 1984 é um arranjo expandido dos Scud, fabricados em massa na extinta União Soviética – e distribuído a governos aliados de Moscou.

O mais recente, o Taepodong-2, de 64 toneladas e ainda em teste, voou pela primeira vez há dez anos. Nesse tempo – apesar de ter apresentado algumas falhas durante os ensaios –, o raio de ação do maior míssil norte-coreano cresceu e passou de 4 mil para 10 mil quilômetros.

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