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Projeção indica derrota apertada de Evo em referendo sobre 3ª reeleição

Diante de dificuldades inéditas em dez anos de poder, como desaceleração econômica e denúncias envolvendo uma ex-namorada, presidente promete respeitar resultado de referendo sobre novo mandato; confusão marcou votação em Santa Cruz

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O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2016 | 21h23

LA PAZ - Pesquisas boca de urna divulgadas na noite de ontem indicavam a derrota por pequena margem do presidente da Bolívia, Evo Morales, no referendo para alterar a Constituição e permitir sua candidatura a uma terceira reeleição. Segundo levantamento, do instituto Mori, o “não” venceria o “sim” por 51% a 49% dos votos. Projeção do Ipsos também dava vitória ao “não” por 52,3% a 47,7%. 

Resultados em estágio inicial divulgados na noite de ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral da Bolívia também projetavam uma derrota de Evo. Com 8,5% das urnas apuradas, a rejeição à proposta tinha 65,6% dos votos e a aprovação, 34,4%.

O vice-presidente Alvaro Linera disse que a situação era de empate técnico e o governo esperaria resultados oficiais. “É altamente provável que resultados extraoficiais mudem de maneira drástica nas próximas horas”, afirmou. “Pesquisas de boca de urna não levam em conta bairros mais afastados.”

Candidato derrotado por Evo em 2014, o opositor Samuel Doria Medina afirmou confiar nas projeções. “Os resultados não mudarão e mostrarão que a população rechaçou a reforma constitucional”, declarou. 

Mais de 5,7 milhões de bolivianos votaram para responder se estavam de acordo com a mudança do artigo 168 da Constituição de 2009. Com a vitória do “sim”, Evo poderia disputar um quarto mandato. A participação foi de 88%.

Incidentes no departamento (Estado) de Santa Cruz - o mais rico da Bolívia - atrapalharam a tranquilidade da votação, que no geral foi pacífica. No bairro de Las Hamacas, dezenas de pessoas queimaram cédulas de votação em um protesto contra temores de uma suposta fraude em dois colégios eleitorais.

O horário de votação em Santa Cruz foi estendido em virtude dos protestos e, nos colégios onde houve a confusão, a votação ocorrerá em 6 de março. 

Apesar dos problemas localizados em Santa Cruz, a Organização dos Estados Americanos (OEA), informou que a jornada foi tranquila. “Foi normal e pacífico”, disse o ex-presidente da República Dominicana Leonel Fernández, da missão da OEA. 

“Desejo que haja a maior participação eleitoral possível neste dia histórico”, disse Evo depois de votar no distrito de Chapare. Abalado por um escândalo envolvendo a contratação de sua ex-namorada Gabriela Zapata pela empresa chinesa CAMC, ele prometeu respeitar a o resultado. / AFP,EFE e AP

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