Reprodução|La Patilla
Reprodução|La Patilla

Promotor denuncia fraude no julgamento de Leopoldo López

Franklin Nieves diz sofrer pressão de Maduro e foge do país após dizer que provas falsas foram utilizadas para condenar o líder opositor venezuelano

O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2015 | 18h07

CARACAS - O promotor de Justiça venezuelano Franklin Nieves denunciou ontem uma fraude no julgamento do líder opositor Leopoldo López, no qual trabalhou. Em um vídeo publicado no site La Patilla - crítico ao governo do presidente Nicolás Maduro -, o procurador, membro da equipe que cuidou do caso, disse ter sofrido pressão do governo para apresentar provas falsas. Ele fugiu do país com a família.

López foi condenado a quase 14 anos de prisão por incitar protestos contra o governo em 2014. “Decidi deixar a Venezuela com minha família depois de ter sido pressionado pelo governo a continuar a usar provas falsas para condenar Leopoldo López”, disse Nieves no vídeo. “Quem me conhece sabe a angústia que eu passei, os dias que não dormi e a pressão para continuar com essa farsa.”

O promotor disse ainda que nos próximos dias divulgará “toda a verdade” sobre o julgamento de López. “A partir de agora começarão as injúrias contra mim porque não me prestei a dar continuação a essa farsa que foi montada”, acrescentou o procurador no vídeo. “ Convido meus amigos juízes e promotores a perder o medo e dizer a verdade. Sejam valentes e levantem suas vozes contra a pressão exercida por nossos superiores, que ameaçam nos demitir e nos prender.”

O Ministério da Comunicação e a Procuradoria-Geral da Venezuela não se pronunciaram sobre o vídeo. 

A defesa de López declarou que a gravação demonstra que a condenação do líder opositor foi ilegal. Desde o início do processo, advogados e representantes da coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) dizem que o julgamento é fraudulento e López é um preso político. 

“Franklin Nieves, promotor do caso Leopoldo López, mostrou mais uma vez a ilegalidade da condenação, que resulta de uma fraude processual”, disse o advogado de López, Juan Carlos Gutiérrez, em sua conta no Twitter. “O processo está contaminado e a condenação deve ser anulada imediatamente.”

Especula-se que Nieves, responsável pela argumentação que pediu a condenação de López a 13 anos e 9 meses de prisão, tenha fugido para os Estados Unidos. 

Veja a denúncia de Nieves ao La Patilla (em espanhol):

Na terça-feira, um tribunal de apelações deve julgar um recurso contra a condenação, emitida em primeira instância, que condenou López por incitação ao crime, associação para delinquir, dano ao patrimônio público e incêndio proposital. 

Pouco depois da divulgação do vídeo do promotor, a mulher de López, Lilian Tintori escreveu, também em sua conta no Twitter, que a liberdade do marido está próxima. “O sol da liberdade chegará à Venezuela”, disse. 

A mãe do líder opositor, Antonieta Mendoza, disse na mesma rede social que o depoimento do promotor é a prova de que o governo intimida funcionários do Judiciário venezuelano. “A pressão contra membros da Justiça só acabará quando eles perderem o medo”, comentou. 

A pouco mais de um mês das eleições legislativas no país, o governo venezuelano enfrenta uma grave crise econômica que levou a popularidade de Maduro a 22%, o menor índice da era chavista. / REUTERS, EFE e AP

Mais conteúdo sobre:
Venezuela

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.